Direita debate manifestação do dia 26
Aliados do governo Bolsonaro convocam para uma manifestação. Mas grupos favoráveis às pautas anunciaram que não vão participar.
Aliados do governo Bolsonaro estão convocando pessoas para uma manifestação no próximo domingo (26). As pautas são variadas, mas muitas mensagens incluem apoio à reforma da Previdência e ao pacote anticrime.
Ao mesmo tempo, grupos favoráveis a essas pautas, como o MBL, anunciaram que não vão participar da manifestação pró-governo.
Confira neste post alguns dos tweets mais republicados e entenda esse debate.
1. Chamadas para a manifestação
Acho nojento quando dizem que o Bolsonaro tem que começar a governar. ELE ESTÁ TENTANDO! Mas tudo que ele faz o Congresso enfia no meio do c* e destrói. Culpam a vítima disso!!! Bolsonaro organizou certinho o governo e o Congresso: NÃO, ASSIM NÃO! Vai pra m*rda! #Dia26EuVou
— Smith Hays (@Smith_Hays) May 19, 2019
O Congresso quer
CARGOS
CONCHAVOS
IMPUNIDADEBOLSONARO não se curva a isso e está sendo travado em seu governo.
Se você é imbecil o suficiente pra achar "normal" o que o Congresso está fazendo…#Dia26EuVou
— Henrique Olliveira (@henriolliveira) May 19, 2019
Setores do establishment incluindo o MBL querem vender a tese que Bolsonaro é um projeto de ditador.
Para provar que ele não é um ditador e que tem apoio do povo, vamos às ruas no dia 26 para pedir o fim do STF e do congresso traídor da pátria#Dia26EuVou#MBLtraidoresdaPatria
— Guru de Direita – Bonoro 👉👌 o Brasil (@DireitaGuru) May 19, 2019
A base intelectual dos protestos é que o ‘establishment’, representado pelo Congresso, está travando a agenda do governo por não receber cargos e outras benesses do Executivo.
O principal articulador público desse entendimento é Filipe Martins, assessor internacional da presidência. Em sua tese, as ‘vozes cínicas do establishment’ não conseguem entender que “basta que quem foi escolhido líder pelo povo exponha a podridão do sistema e peça mais engajamento popular”.
A aposta desse grupo, portanto, é que a mobilização popular será suficiente para convencer o Congresso a obedecer à vontade do povo, votando na agenda que venceu a eleição de 2018.
Nem todo mundo concorda.
2. Oposição à manifestação
Janaina Paschoal é contra a manifestação pró-governo. Entende que “deputados eleitos legitimamente” não devem “fugir das dificuldades de convencer os colegas (…) e ficarem instigando o povo a gerar o caos”. Ou seja, segundo ela, o governo faria melhor trabalhando dentro do Congresso, em vez de chamar para um protesto contra a casa.
Mas quem o está colocando em risco é ele, os filhos dele e alguns assessores que o cercam. Acordem! Dia 26, se as ruas estiverem vazias, Bolsonaro perceberá que terá que parar de fazer drama para TRABALHAR!
— Janaina Paschoal (@JanainaDoBrasil) May 19, 2019
Renan Santos, coordenador nacional do MBL, também se opõe à manifestação. Segundo ele, Bolsonaro e filhos estão “denunciando Centrão e establishment, como se vítimas fossem”. E uma “declaração de guerra ao Congresso” seria contraproducente, na verdade atrapalhando ainda mais o andamento das reformas.
7- Mantendo o fio condutor anti político, a retórica de que “articulação é golpe” vira base pra demonização do congresso. Objetivo não é fechar o parlamento — até pq não têm bolas pra isso. Eles querem emparedar as instituições demonizadas. É uma aposta alta.
— Renan Santos (@RenanSantosMBL) May 19, 2019
Obviamente, a retirada anunciada do MBL e outros movimentos que participaram do impeachment de Dilma foi criticada por aliados do governo. Um deles é o vereador Alexandre Aleluia (DEM), de Salvador:
3) Agora terão que encarar o custo político do amadorismo, o que não deixa de ser irônico, já que se vendem como os grandes gênios da estratégia da política nacional. #DeusBrasilBolsonaro
— Alexandre Aleluia (@AlexAleluia) May 19, 2019
3. A realidade dos números
Enquanto no Twitter ocorre o debate a respeito de como o governo deve se relacionar com o Congresso, na prática há gente trabalhando. Sergio Moro, o principal líder do pacote anticrime, já se reuniu com 106 parlamentares – um sexto do Congresso. Ele rivaliza com Onyx Lorenzoni, que esteve com 125 deputados e senadores nestes cinco meses de governo.
Apesar do trabalho de seus ministros, o relacionamento do presidente com os parlamentares não é bom. Em abril, pesquisa da XP mostrou que apenas 34% deles consideram ótimo ou bom o relacionamento com Bolsonaro, contra 47% em fevereiro.

Pesquisa Ibope mostrou que a aprovação popular ao governo Bolsonaro despencou de 49% em janeiro para 34% em março.
4. O choque de realidade
Um teste para saber quem está certo nesse debate vai ocorrer nos próximos dias. Primeiro, ao verificarmos o tamanho das manifestações pró-governo no domingo (26). Logo em seguida, na quinta-feira (30), ocorrerá um protesto contra o bloqueio de verbas para as universidades, liderado por movimentos de esquerda.
Para que a tese que embasa a manifestação pró-Bolsonaro triunfe, é necessário que haja muita gente na rua no dia 26. Afinal, a ideia é de que o povo está com o presidente.
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