Bolsonaro tinha razão
Desde abril, o presidente da República alertou que a capitalização era uma ideia a ser apreciada após a reforma da Previdência.
Ninguém pode acusar Jair Bolsonaro de ter faltado com a verdade quando, no início de abril, alertou:
Vai ter reação. Eles vão tirar. Jair BolsonaroO presidente da República fazia referência à capitalização, um dos pontos mais polêmicos da reforma da Previdência. Na ocasião, Bolsonaro sugeriu que o modelo em que cada trabalhador contribui para a própria aposentadoria fosse votado em um “segundo turno”. – Mito O grande entrave, conforme escreveu Pedro Fernando Nery também em abril, viria do “mito do suicídio dos idosos chilenos“. A oposição importou do Chile a versão segundo a qual os aposentados estariam se matando mais do que os jovens. E a grande responsável por tamanha tragédia seria a capitalização adotada por Augusto Pinochet ainda nos anos 1980. Contudo, uma taxa de suicídio maior entre idosos é um fenômeno observado em qualquer nação. É também natural que a população “envelheça” à medida em que um país se desenvolva, fazendo com que dispare o total de suicídios dos mais velhos. Ao fim, Nery confirmou que a taxa chilena de suicídio de idosos em 2012 (quase 17 mortos para cada grupo de 100 mil) era menos da metade da cubana (36 mortos para cada grupo de 100 mil). No entanto, a oposição brasileira segue simpática a tudo o que Cuba faz. – Outra questão Os parlamentares, todavia, tinham outra importante questão, conforme reportou O Antagonista já em maio.
Com que dinheiro o governo vai garantir as aposentadorias do regime antigo, se os novos não vão mais contribuir com o sistema público? O Antagonista, em 22 de maio de 2019Os deputados ouvidos por O Antagonista só conseguiam chegar a uma desgastante solução: a criação de um novo imposto. – Vantagens Paulo Guedes não desistiu. E entrou o mês de junho defendendo que a capitalização renderia um “choque de empregos” ao Brasil.
O Brasil é uma baleia ferida que foi arpoada várias vezes e parou de se mover. Temos que retirar os arpões, consertar o que está equivocado. Não tem direita e nem esquerda. Precisamos reerguer a economia brasileira. Paulo GuedesMais: o ministro da Economia antevia que a aprovação da capitalização permitiria ao Brasil crescer até 4% ao ano.
Nova previdência com capitalização vai crescer acima de 3%, 4% por ano em vários anos. Porque aí tem a poupança interna reforçada, tem os investimentos externos. Os juros descem imediatamente e o Brasil retoma a rota de crescimento sustentável. Paulo GuedesContava, para tanto, com o apoio incondicional da bancada do Novo, que fazia pressão extra no relator da Reforma. O PT, por sua vez, fazia pressão no sentido oposto.
Dizem que a capitalização é um bode na sala. Se é bode, passou da hora de tirar. Se demora, o cheiro fica. Rui Costa, governador da BahiaUma semana depois, Samuel Moreira dizia estar com o relatório 90% pronto. Contudo, a capitalização seguia como um dos dois pontos ainda pendentes. – Tinha razão Há dois dias, O Antagonista adiantou que o sistema de capitalização ficaria de fora da reforma. Mas, conforme Claudio Dantas informou em primeira mão aos assinantes de O Antagonista+, Guedes estaria disposto a topar um “regime de capitalização opcional“. Ontem, o ministro da Economia se reuniu com Rodrigo Maia, que entendia não haver voto suficiente para aprovar a medida. Ao final da tarde, já se sabia que Moreira excluiria o modelo do relatório. No início da noite, o presidente da Câmara bateu o martelo.
Como previsto, o sistema de capitalização ficou fora do relatório da reforma Previdência que irá a plenário na Câmara. O AntagonistaMas o Novo não se deu por vencido. Em primeira mão aos assinantes de O Antagonista+, Diego Amorim noticiou que lutavam por um plano B.
A bancada do Novo negocia com Rodrigo Maia a apresentação de uma outra PEC com uma proposta de capitalização mais consensual. O assunto já foi tratado com o deputado Mauro Benevides, do PDT, que gosta da alternativa. Diego Amorim, em primeira mão para O Antagonista+Caso o plano B vingue, restará provado que Bolsonaro tinha razão ainda em abril: a reforma não passaria com a capitalização, que demandaria um “segundo turno”.
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