Arapongagem em Brasília
O clima em Brasília é: todo mundo espionando todo mundo. Inclusive jornalistas e quem publica em redes sociais.
A Época publicou nesta quinta (2) que auxiliares da segurança de Hamilton Mourão fizeram uma varredura em busca de grampos nas salas do gabinete do vice-presidente e no Palácio do Jaburu.
A suspeita de espionagem não se confirmou, mas ilustra a que ponto chegaram as tensões entre Bolsonaro e seu vice.
O governo Bolsonaro tem sido marcado por vários movimentos nas áreas de espionagem e inteligência, como você vai relembrar agora.
– No Senado: a Polícia Legislativa e a Operação Métis

Pouco depois de tomar posse como presidente do Senado, Davi Alcolumbre exonerou o chefe da Polícia Legislativa, Pedro Ricardo Araújo Carvalho. Carvalho é considerado alinhado ao grupo de Renan Calheiros.
Por que isso é relevante?
Em outubro de 2016, a Polícia Federal deflagrou a Operação Métis. O próprio Carvalho e outros três integrantes da Polícia Legislativa foram presos. Posteriormente, eles foram reintegrados ao serviço.
O grupo foi acusado de montar um esquema de contrainteligência com o objetivo de localizar e destruir escutas telefônicas e ambientais de parlamentares envolvidos na Lava Jato. A Polícia Federal suspeita que os agentes legislativos instalaram grampos ilegais entre 2014 e 2015, durante a Lava Jato.
Equipamentos do Senado teriam sido usados para fazer varreduras em imóveis particulares e funcionais de Gleisi Hoffmann, Fernando Collor, Edison Lobão e José Sarney – e assim protegê-los da Lava Jato.
Teori Zavascki suspendeu a Operação Métis em liminar em 27 de outubro de 2016, poucos dias depois de sua deflagração.
Em dezembro passado, Dias Toffoli chegou a pautar o julgamento da validade da operação para fevereiro deste ano, mas esse julgamento ainda não aconteceu. O que está definido é que as maletas antigrampo usadas pela contrainteligência do Senado, apreendidas pela PF durante a Operação Métis, permanecem no STF.
– No STF: núcleo de inteligência

Em março, a Folha publicou que o inquérito aberto por Dias Toffoli para apurar supostas ofensas e ameaças aos ministros teria dois esquemas de monitoramento das redes.
Pouco depois, O Antagonista apurou que “[a]lguns observadores da cena política, inclusive, enxergam no ‘inquérito combo’ aberto por Dias Toffoli uma espécie de reação institucional camuflada. Embora o presidente do STF tenha argumentado que era necessário investigar ofensas e calúnias contra ministros, o que se viu foi a montagem de outro “núcleo de inteligência”, com a convocação, por Alexandre de Moraes, de dois delegados de São Paulo – um da PF e outro da Civil”.
Esse núcleo de inteligência do STF nascia num cenário em que havia “suspeita de que integrantes do Legislativo, do Judiciário e até mesmo do Executivo estejam sendo grampeados ilegalmente”.
– No Planalto: Carlos Bolsonaro e a ‘Abin paralela’

Em fevereiro, Lauro Jardim escreveu que Carlos Bolsonaro teve a ideia de “montar uma estrutura paralela de inteligência, com delegados e agentes da PF de sua confiança“. O General Heleno teria vetado a maluquice. No mesmo mês, Heleno negou que a Igreja Católica fosse alvo de ações da Abin.
No mês seguinte, O Antagonista mostrou que o delegado Alexandre Ramagem Rodrigues vai comandar uma espécie de ‘núcleo de inteligência’ no Planalto.
– Nas redes sociais: a Abin de verdade

Em março, o general Heleno visitou a Abin e confiou aos agentes uma curiosa missão.
Segundo a Folha publicou, o presidente “gostaria de ser informado, no tempo mais curto possível, sobre a veracidade de mensagens viralizadas na internet e que chegam ao seu conhecimento. Nos termos colocados por Heleno, a Abin passaria a ser muito mais uma agência de checagem de informação, o que é considerado inviável pelos profissionais de inteligência”.
O clima em Brasília, portanto, é: todo mundo espionando todo mundo. Inclusive jornalistas e quem publica em redes sociais.
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