A emenda Olavo de Carvalho
A mudança abre caminho para cursos ministrados por professores que escreveram livros fora do ambiente universitário.
Uma portaria publicada no Diário Oficial na última quarta (24) trouxe uma mudança importante para quem está interessado em oferecer cursos de mestrado e doutorado a distância. Antes, a análise do MEC considerava a produção acadêmica dos professores. Agora, será analisada a produção “intelectual”. A mudança já foi batizada de “emenda Olavo de Carvalho” por abrir caminho para cursos ministrados por professores que escreveram livros fora do ambiente universitário.
É interessante que o novo texto tenha sido aprovado sob a gestão do ministro Abraham Weintraub. Em 2016, ele publicou dois artigos idênticos em revistas científicas que aceitam apenas textos inéditos. Os títulos estão em seu currículo Lattes.
O filósofo Nassim Nicholas Taleb gosta de dizer que os pensadores modernos mais influentes produziram fora da academia: Darwin, Marx, Freud e Einstein. Enquanto alguém com o peso deles não surge no Brasil, vamos relembrar os principais enfrentamentos do governo Bolsonaro com o establishment acadêmico.
– Doutrinação eleitoral
Em 2016, Bolsonaro republicou uma mensagem do filho Carlos alertando para professores que prometeram redobrar a carga de ideologia em sala de aula após o impeachment de Dilma Rousseff. Naquele ano também foram realizadas eleições municipais.
Canalhas travestidos de "professores" mentindo p/ seu filho e querendo transormá-lo em eleitor do PT, PSOL e PCdoB. https://t.co/GrSsNDgfGD
— Jair M. Bolsonaro (@jairbolsonaro) August 13, 2016
– Disciplinas falsas
Em 2017, Bolsonaro publicou um vídeo com um trecho de palestra do filósofo inglês Roger Scruton. Ele critica as disciplinas universitárias construídas ao redor de ideologias:
ALGUMA SEMELHANÇA COM O BRASIL? Como disciplinas falsas invadiram as universidades – Roger Scruton (via @tradutores_br ). pic.twitter.com/uI6nCGqacX
— Jair M. Bolsonaro (@jairbolsonaro) September 3, 2017
– Reitores e “lixo marxista”
Logo antes de tomar posse, o presidente-eleito renovou o compromisso de “combater o lixo marxista que se instalou nas instituições de ensino”. Sua equipe estava mapeando mandatos dos reitores de universidades federais para tentar influir na composição das listas tríplices que saem das comunidades acadêmicas. Em fevereiro deste ano, Bolsonaro nomeou o primeiro da lista para a reitoria da UFRN.
– “Descentralizar investimentos”
Na última sexta (26), Bolsonaro contou que Weintraub estuda “descentralizar” investimentos em faculdades de filosofia e sociologia.
O Ministro da Educação @abrahamWeinT estuda descentralizar investimento em faculdades de filosofia e sociologia (humanas). Alunos já matriculados não serão afetados. O objetivo é focar em áreas que gerem retorno imediato ao contribuinte, como: veterinária, engenharia e medicina.
— Jair M. Bolsonaro (@jairbolsonaro) April 26, 2019
Dados do CNPq publicados pelo Estadão, porém, mostram que a área de Ciências Humanas, Linguística, Letras e Artes ficou com 15% (R$ 162 milhões) dos recursos para bolsas em 2018, contra 85% para Exatas e Ciências Biológicas.
– Professor tem que ensinar
Neste domingo (28), Bolsonaro publicou vídeo em que uma aluna confronta a professora dizendo que ela gasta o tempo da aula com críticas ao governo e a Olavo de Carvalho.
E resume: “Professor tem que ensinar e não doutrinar”.
Professor tem que ensinar e não doutrinar. pic.twitter.com/voG6Dj15IZ
— Jair M. Bolsonaro (@jairbolsonaro) April 28, 2019
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