O El Niño pode acabar com o Brasil em 2026? Entenda o fenômeno e os seus perigos
O que é El Niño e como ele afeta o Brasil
O El Niño voltou a aparecer nos alertas climáticos do Brasil em 2026. A probabilidade de o fenômeno se estabelecer até o fim do ano já passa de 80%, segundo a NOAA, a agência oceânica dos Estados Unidos. O último episódio, entre 2023 e 2024, deixou marcas que ainda estão sendo contabilizadas: 184 mortes no Rio Grande do Sul, seca histórica na Amazônia e incêndios em escala recorde.
O que é o El Niño e por que ele muda o clima no Brasil?
O El Niño é o aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial, acima de pelo menos 0,5°C por um período mínimo de seis meses. Quando isso acontece, os padrões de vento e de umidade em toda a atmosfera mudam, afetando o clima em vários continentes ao mesmo tempo. Ele faz parte de um ciclo chamado ENOS, sigla para El Niño-Oscilação Sul, que alterna entre aquecimento, resfriamento e neutralidade no Pacífico, conforme explica o CPTEC/INPE.
No Brasil, o efeito não é uniforme. O mesmo fenômeno que afoga o Sul com chuvas excessivas resseca o Norte e o Nordeste. Isso acontece porque o El Niño altera a circulação da umidade vinda da Amazônia, redirecionando-a para o sul do continente. Para entender o que muda em cada região, é preciso olhar para o mapa.

O que o último El Niño fez em cada parte do Brasil?
O episódio de 2023 e 2024 foi classificado como forte. No Rio Grande do Sul, as chuvas extremas de abril e maio de 2024 foram as piores já registradas no estado: 184 pessoas morreram, 25 desapareceram e 2,4 milhões foram afetadas diretamente, segundo o governo gaúcho. O desastre custou mais de R$ 100 bilhões em danos. A ONU confirmou que o El Niño ajudou a bloquear as frentes frias e a concentrar a instabilidade sobre o estado.
Na Amazônia, o mesmo período trouxe o efeito oposto. O rio Negro atingiu o menor nível em mais de um século. Mais de 750 mil pessoas foram afetadas pela seca, comunidades inteiras ficaram isoladas com o desaparecimento dos rios e 100% dos municípios do Amazonas chegaram a decretar emergência, segundo o governo estadual. Estudos do grupo científico World Weather Attribution mostraram que as mudanças climáticas tornaram essa seca até 30 vezes mais provável.
Veja como o El Niño afeta cada região do país:
O que esperar do El Niño em 2026 e 2027?
Uma nota técnica conjunta publicada em abril de 2026 pelo INPE, INMET, Funceme e CENSIPAM aponta alta probabilidade de configuração do fenômeno a partir do segundo semestre de 2026, com possibilidade de extensão até o início de 2027. A NOAA indica 82% de chance de o El Niño se manter entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027. A intensidade ainda é incerta, mas modelos apontam possibilidade de evento forte.
O meteorologista Gilvan Sampaio, do INPE, alertou que ainda é cedo para afirmar a intensidade do fenômeno, especialmente durante a estação de transição, quando os modelos climáticos perdem precisão. O que já se sabe é que, se o El Niño for forte, os padrões do episódio anterior tendem a se repetir: mais chuva no Sul, mais seca no Norte e Nordeste, e calor acima da média em boa parte do país.
O canal do Fatos Desconhecidos publicou um vídeo explicando em detalhes como o fenômeno age sobre cada região do Brasil e o que os modelos climáticos mais recentes indicam para os próximos meses.
O El Niño sozinho explica os desastres ou há outros fatores?
O El Niño não age no vácuo. As pesquisadoras do grupo World Weather Attribution mostraram que as mudanças climáticas tornaram as chuvas extremas do Rio Grande do Sul duas vezes mais prováveis e até 9% mais intensas do que seriam sem o aquecimento global. A climatologista Friederike Otto, do Imperial College de Londres, foi direta: “Não devemos nos apavorar com o El Niño, que é um fenômeno que sempre ocorreu. Devemos nos apavorar com as mudanças climáticas.”
O Jornal da Unesp reforçou esse ponto: desastres raramente são produzidos só pelo clima. Eles dependem das condições sociais e da infraestrutura das regiões atingidas. A mesma quantidade de chuva provoca impactos completamente diferentes em uma cidade com boa drenagem e em uma área com ocupação irregular e pouca capacidade de resposta. O El Niño expõe fragilidades que já existiam antes dele.
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O que fazer diante de um novo El Niño?
O Greenpeace Brasil e o INMET recomendam acompanhar os boletins climáticos sazonais e os alertas da Defesa Civil, especialmente no Sul e nas áreas de risco de deslizamento. Para quem vive no Norte e no Nordeste, monitorar o nível dos rios e a disponibilidade de água é fundamental antes da estação seca se aprofundar.
Para a população em geral, o passo mais simples é se cadastrar nos alertas da Defesa Civil pelo número 40199: basta enviar uma mensagem de texto com o CEP da sua região e receber avisos de risco climático diretamente no celular, sem custo.
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