Zema imita Nikolas Ferreira para atacar Toffoli e caso Master
Governador de Minas Gerais grava vídeo com estética de baixa iluminação e fundo escuro, em que faz críticas àqueles que chama de “intocáveis”
Romeu Zema (Novo), governador de Minas Gerais, publicou nas redes sociais um vídeo com produção visual semelhante à adotada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) em conteúdos que viralizaram nos últimos meses. Na gravação, Zema usa camisa preta diante de um fundo escuro, com iluminação reduzida – características do formato que o parlamentar popularizou durante a crise do Pix.
No vídeo, o pré-candidato à Presidência da República critica o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, e faz referências ao escândalo envolvendo o banco Master e seu controlador, Daniel Vorcaro, a quem chama de parte de um grupo de “intocáveis”.
Os “intocáveis” da República
Zema estrutura sua fala em torno de uma narrativa de impunidade. “Por que tem tanta pressão para parar a investigação do banco Master? O que está por trás desse jogo?”, questiona no vídeo. Em seguida, diz que os intocáveis são “os que mandam, mas não prestam contas; os que julgam, mas não podem ser julgados e os que vivem acima da lei, acima de mim e de você”.
O governador também menciona endividamento pessoal da população, carga tributária sobre empreendedores e perdas para aposentados, contrapondo esses cenários ao que descreve como benefícios mantidos por uma elite protegida. Além disso, critica os chamados “penduricalhos” – adicionais remuneratórios concedidos a servidores públicos pelo Congresso e vetados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Zema evoca ainda a Operação Lava-Jato como um marco frustrado de responsabilização. “A primeira grande chance de acertar as contas com os intocáveis foi na Lava-Jato, quando o Brasil foi para as ruas”, diz, acrescentando que “no fim, anularam tudo”.
O meio é a mensagem?
O modelo de gravação utilizado por Zema foi estabelecido por Nikolas Ferreira durante a crise do Pix, quando um vídeo do deputado obteve ampla repercussão e, segundo relatos da época, influenciou a resposta do governo federal – que determinou a suspensão da instrução normativa sobre fiscalização das transferências eletrônicas.
Nos meses seguintes, Nikolas repetiu o formato em outros episódios, como o caso dos descontos irregulares no INSS. O modelo passou a ser replicado por figuras de diferentes espectros políticos, inclusive da esquerda.
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