Zanin recebe íntegra do celular de Vorcaro antes de julgamento
Ministro havia determinado envio do conteúdo às vésperas de sessão que analisará relatório sobre mensagens de banqueiro para Moraes
O gabinete do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), recebeu nesta segunda-feira, 14, a cópia integral dos dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. A Polícia Federal enviou o material após determinação do ministro no domingo, 13.
A entrega ocorre na véspera do julgamento em que o plenário do STF deverá analisar o relatório da PF sobre mensagens trocadas entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. O documento foi produzido por determinação de André Mendonça, então relator do caso.
Zanin afirmou que precisa conhecer a íntegra dos dados para “formar a sua convicção para estar apto” a participar do julgamento. O ministro também sustentou que as provas pertencem ao plenário do STF, e não exclusivamente ao relator, e que não há hierarquia entre os integrantes da Corte.
Mendonça, porém, se posicionou contra o compartilhamento integral. Segundo ele, a medida poderia “tumultuar” o julgamento, prejudicar as investigações sobre as fraudes do Banco Master e provocar questionamentos capazes de desviar a análise do relatório.
O ministro também afirmou que os demais integrantes do STF já têm acesso ao material necessário para a sessão e pediu a Edson Fachin que apure se delegados da PF sofreram pressão para liberar a íntegra dos dados.
Fachin assume a relatoria
No sábado, 12, Fachin assumiu a relatoria do caso envolvendo Moraes e retirou a condução de Mendonça. A mudança ocorreu em meio à escalada de divergências entre os ministros sobre a condução das investigações.
Antes da ordem de Zanin, a PF havia informado a Fachin que tinha “plenas condições técnicas” de produzir cópias do celular e enviá-las aos ministros que solicitassem o conteúdo, preservado o sigilo.
A entrega dos dados a Zanin ocorre poucas horas antes do julgamento e amplia a disputa entre os ministros sobre quais elementos deverão ser considerados pelo plenário na análise do relatório da PF.
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