Zambelli divulga vídeo antes de ser presa: “Se tiver que cumprir pena, vai ser aqui na Itália”
Deputada federal afirmou que se entregaria às autoridades italianas, porque o país tem "justiça e democracia"
A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) divulgou um vídeo antes de ser presa nesta terça-feira, 29, em Roma, na Itália.
No vídeo, gravado em frente a uma parede branca, ela afirma que se apresentaria às “autoridades italianas”, porque o país tem “justiça e democracia”. A versão de Zambelli contrasta com a publicação do deputado italiano Angelo Bonello, que afirmou ter sido responsável por encaminhar o endereço onde a parlamentar estava escondida.
“Não temos a autoridade ditatorial de Alexandre de Moraes e de seus comparsas da Suprema Corte. Estou tranquila — calma, tranquila e com o coração sereno — de que aqui buscarei justiça para o meu caso“, disse.
Zambelli negou ter ordenado o hacker Walter Delgatti Neto a invadir o sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e afirmou que continuará “lutando”, a partir da Itália, para que possa retornar ao Brasil.
O Antagonista transcreve a íntegra do vídeo:
“Vou me apresentar às autoridades italianas. Estou muito segura de fazê-lo, porque aqui ainda temos justiça e democracia. Não temos um ditador no poder. Não temos a autoridade ditatorial de Alexandre de Moraes e de seus comparsas da Suprema Corte. Estou tranquila — calma, tranquila e com o coração sereno — de que aqui buscarei justiça para o meu caso.
Quando eu disse que era intocável, é porque sei que só Deus pode me tocar. Eu não vou voltar ao Brasil para cumprir pena. Se eu tiver que cumprir qualquer pena, vai ser aqui na Itália, que é um país justo e democrático.
Mas estou segura de que, analisando todos os processos de cabo a rabo, eles vão perceber que sou inocente. Porque eu não ordenei a invasão ao CNJ. Eles tomaram a palavra de um mentiroso que mudou cinco vezes o depoimento dele — seis depoimentos, cada um dizendo uma coisa diferente sobre mim — e a palavra dele valeu mais que a minha para me condenar. O que é isso, senão uma perseguição política? E eu vou continuar lutando, daqui da Itália, para que depois eu possa voltar para o nosso país.
Eu sei que Deus está olhando para o nosso país. Sei que podemos contar com Ele. E é por isso que, com a alma limpa e o coração tranquilo, vou me apresentar às autoridades — porque não estou aqui fugindo. Estou aqui resistindo. E vou continuar resistindo por vocês, pelos meus amigos e pela minha família, principalmente. Pela nossa pátria. Pelo nosso país.
Contem comigo, hoje e sempre. Podem ter certeza de que todas as adversidades só fizeram de mim uma mulher mais forte, mais resistente e com muito mais fé.
Eu confio que tudo isso vai passar. A noite, às vezes, fica mais escura antes do amanhecer. Mas, quando amanhece — e vai amanhecer —, Deus é quem estará cuidando de nós e da nossa pátria. Não desista. Resista.
Um grande abraço a todos.”
Prisão
Zambelli foi presa em Roma, na Itália, na tarde desta terça, 29.
Ela estava foragida há dois meses, após ter sido condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 10 anos de prisão, perda do mandato e ao pagamento de uma multa por invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e inserção de documentos falsos.
O Ministério da Justiça havia solicitado a extradição da parlamentar.
O nome de Zambelli já figurava na lista dos procurados da Interpol.
Cooperação internacional
Em nota, a Polícia Federal (PF) afirmou que a prisão foi realizada “por meio da Adidância Policial em Roma, em cooperação com autoridades italianas e a Interpol.”
“Autoridades italianas prenderam na tarde desta terça-feira (29/7), em Roma, uma brasileira que se encontrava foragida no país. A medida é resultado de cooperação policial internacional entre a Polícia Federal, a Interpol e agências da Itália.
A presa era procurada por crimes praticados no Brasil e será submetida ao processo de extradição, conforme os trâmites previstos na legislação italiana e nos acordos internacionais dos quais o Brasil é signatário”, diz o comunicado.
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