Zambelli articula campanha digital para pressionar ministro italiano
Parlamentar solicita apoio de influenciadores com objetivo de influenciar decisão sobre seu processo de extradição para o Brasil
A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), que está detida no presídio feminino Rebibbia, em Roma, Itália, enviou uma carta a familiares em 2 de agosto, solicitando que influenciadores bolsonaristas iniciem uma campanha nas redes sociais do ministro da Justiça italiano, Carlo Nordio. O objetivo é pressionar por uma decisão favorável em seu processo de extradição para o Brasil, onde foi condenada a dez anos de prisão e à perda do mandato, por invasão ao sistema do CNJ e falsidade ideológica.
Tentativa de mobilização bolsonarista
Na mensagem enviada da cadeia, Zambelli orientou que a articulação deveria ser feita pelos influenciadores Paulo Figueiredo, ex-apresentador da Jovem Pan, e Allan dos Santos. O pedido da parlamentar foi o seguinte: “Tenta fazer uma campanha para as pessoas comentarem no perfil dele e pedirem por mim, fala com Allan dos Santos e Paulo Figueiredo para ajudarem o público dele”.
A intenção é influenciar diretamente a decisão de Carlo Nordio, a quem cabe a palavra final sobre o processo de extradição da deputada para o Brasil. O ministro italiano é responsável por verificar a correção formal do pedido extradicional brasileiro e a existência de acordos de cooperação entre as nações.
De acordo com a Folha, a defesa da deputada no Brasil, por meio do advogado Fabio Pagnozzi, optou por não comentar o pedido de campanha. Mas Pagnozzi manifestou confiança em uma possível negativa da extradição, na concessão de liberdade à parlamentar, ou na aplicação de medidas cautelares.
Prisão na Itália, extradição ao Brasil
A prisão de Carla Zambelli na Itália ocorreu no fim de julho, em um apartamento localizado no bairro Aurélio, em Roma. Até então, ela estava foragida da Justiça brasileira havia quase dois meses. A ordem de sua detenção definitiva foi emitida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em junho, período em que a deputada já não estava no país.
Moraes também determinou que o Ministério da Justiça formalizasse o pedido de extradição, fundamentado no tratado firmado entre Brasil e Itália. A decisão do STF igualmente previu a perda imediata do mandato parlamentar da deputada, com comunicação ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Zambelli foi enviada ao presídio feminino Rebibbia, em Roma, uma instituição que abriga 369 mulheres, número superior em quase cem à sua capacidade total. Em 14 de maio, a Primeira Turma do STF condenou Zambelli por unanimidade a dez anos de prisão e à perda do mandato, devido à invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e falsidade ideológica.
A Corte de Apelação de Roma determinou a manutenção da deputada em regime fechado durante o trâmite da extradição. Esse processo, segundo especialistas, pode se estender por um a dois anos.
No dia 6 de agosto, outra carta escrita manualmente por Zambelli foi divulgada. Na mensagem, ela se declarava “forte e corajosa” e afirmava que “nenhum ditador nos colocará de joelhos”. Essa comunicação foi publicada nos perfis do Instagram de seu filho, João Zambelli, de sua mãe, Rita Zambelli, e de seu advogado, Fabio Pagnozzi. Aproximadamente uma hora depois, as publicações foram retiradas das redes sociais. O texto da carta ressaltava a liberdade como o “maior presente para as nossas vidas”.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)