Youtuber alvo de Moraes no 8 de janeiro quer ser deputado federal
Mesmo após ser alvo do ministro do Supremo Tribunal Federal, Bismark Fugazza do canal Hipócritas lança pré-candidatura à Câmara dos Deputados
Alvo de investigação por suposto envolvimento nos atos de 8 de janeiro, o empresário e influenciador Bismark Fugazza (foto) anunciou pré-candidatura a deputado federal por Santa Catarina, mesmo sob medidas cautelares impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) que restringem sua circulação e comunicação.
Filiado ao Podemos, Fugazza está proibido de deixar o município de Penha (SC), onde reside, e de utilizar redes sociais. Ele também é monitorado por tornozeleira eletrônica. As restrições impactam diretamente a organização da pré-campanha, que, segundo ele, deve se apoiar em aliados e articulação presencial.
O influenciador ganhou notoriedade como integrante do canal Hipócritas, voltado a conteúdos políticos com viés conservador. Ele passou a ser investigado no STF em inquéritos que apuram a atuação de grupos suspeitos de incentivar atos considerados antidemocráticos após as eleições de 2022. Fugazza era sócio do blogueiro Oswaldo Eustáquio.
Em dezembro de 2022, o ministro Alexandre de Moraes determinou sua prisão. Fugazza deixou o país e foi localizado no Paraguai, onde acabou detido em março de 2023 a pedido das autoridades brasileiras. Após ser expulso, permaneceu preso por 91 dias e, depois, obteve liberdade provisória com imposição de medidas cautelares. Ele foi apontado como um dos financiadores e possível incentivador dos ataques à Praça dos Três Poderes.
Entre as determinações judiciais, Moraes estabeleceu a retirada de conteúdos de suas redes e do canal que integrava.
Fugazza afirma que pretende pautar sua atuação política em temas como liberdade de expressão e crítica ao que considera restrições impostas pelo Judiciário. Ele também critica o Congresso Nacional e diz que sua experiência pessoal motivou a entrada na política.
“Vamos encontrar formas de levar a mensagem até as pessoas, mesmo com todas as limitações impostas”, declarou Bismark.
Em declarações públicas, o influenciador questiona a legalidade das decisões judiciais e nega envolvimento nos atos de 8 de janeiro de 2023. Ele afirma ainda não ter sido condenado no âmbito das investigações.
“Eu cometi o maior crime que existe dentro do Brasil. É um crime que não está na Constituição, que é o crime de opinião. Eu falei e por isso fui preso”, afirmou.
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