Xi Jinping deu sinal verde para ferrovia bioceânica, diz Dilma
Apesar da declaração da ex-presidente, o projeto ainda não tem cronograma ou garantias de financiamento
A ex-presidente Dilma Rousseff (foto) afirmou nesta quarta-feira, 14, que o líder chinês Xi Jinping deu sinal verde político ao projeto da ferrovia bioceânica, uma das iniciativas de infraestrutura mais ambiciosas para a integração sul-americana.
Hoje à frente do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), o banco dos Brics, Dilma disse que Xi demonstrou comprometimento com a proposta de ligar o Brasil ao Oceano Pacífico por meio de uma linha ferroviária, o que facilitaria o escoamento de produtos brasileiros rumo à Ásia.
“Ele falou que vai fazer. Ele sabe o que é importante para nós e nós sabemos o que é importante para eles. E quando ele diz que vai acontecer, as coisas acontecem”, disse Dilma, durante agenda oficial em Pequim, onde participou da comitiva de Lula.
Apesar da manifestação de Xi, o projeto ainda não tem cronograma ou garantias de financiamento. A iniciativa depende do engajamento de estatais chinesas com capacidade técnica e interesse comercial para tirar a obra do papel.
Qual é o projeto da ferrovia bioceânica?
O projeto prevê uma ligação ferroviária entre o Centro-Oeste brasileiro e portos no Chile ou Peru — especialmente o Porto de Chancay, recém-inaugurado com financiamento chinês.
A rota de escoamento tem como objetivo estabelecer uma infraestrutura capaz de reduzir significativamente o tempo e os custos de transporte entre o Brasil e o mercado asiático.
O trecho mais desafiador do projeto é justamente a ferrovia, que exigirá a travessia da cordilheira dos Andes — um dos maiores obstáculos de engenharia da iniciativa.
Durante a visita de Lula ao país asiático, Brasil e China assinaram um memorando de entendimento para alinhar projetos do Novo PAC com a iniciativa chinesa Cinturão e Rota, mas o governo brasileiro continua evitando uma adesão formal à Nova Rota da Seda por receios diplomáticos, principalmente com os Estados Unidos.
A ministra do Planejamento, Simone Tebet, pediu que a China dê um sinal claro de interesse em até 30 dias, para viabilizar o início dos estudos executivos da ferrovia antes da cúpula dos Brics, marcada para julho, no Rio de Janeiro.
“Nós precisamos rasgar o Brasil de ferrovias”, disse Tebet, que defende o projeto como estratégico para conectar o “celeiro do Brasil” — região de Matopiba e Centro-Oeste — ao Pacífico.
Ela reconheceu que o Brasil não tem recursos orçamentários para bancar sozinho uma obra dessa dimensão e que o apoio chinês é essencial.
Segundo a ministra, a carteira de infraestrutura da América do Sul, dentro do PAC, prevê até US$ 10 bilhões em financiamento, mas ferrovias exigem aportes que só grandes parceiros internacionais podem oferecer.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)