Vorcaro articulou plano para financiar candidato à Presidência da OAB
Mensagens sob posse da PF mostram estratégia milionária do ex-banqueiro para ter influência sobre o órgão
Mensagens interceptadas pela Polícia Federal (PF) mostram a atuação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para tentar emplacar um aliado no comando da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
A PF apura a articulação de Vorcaro com o ex-diretor jurídico do Master Luiz Rennó para custear a pré-campanha de Sérgio Leonardo, no início de 2024, e que hoje integra sua equipe de defesa.
O projeto “OAB nacional” e envolvia oferecer apoio financeiro de R$ 10 milhões para conseguir votos das seccionais da entidade, custear viagens internacionais para fazer lobby e colocar à disposição uma aeronave de Vorcaro. O ex-banqueiro, contudo, não queria aparecer a operação.
De acordo com as mensagens, o pagamento seria realizado por meio de um contrato de prestação de serviços entre uma das empresas do conglomerado do Master e um novo escritório de advocacia que seria aberto por Rennó.
Assim, manteriam oculta a participação de Vorcaro na operação e preservariam a relação com o advogado Marcus Vinícius Furtado Coêlho, ex-presidente da OAB, aliado de Beto Simonetti e também contratado pelo Master.
O plano discutido com Vorcaro previa eleger aliados pelo país para exercer influência na entidade, que tem a prerrogativa de mover ações de inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal (STF) e elaborar listas de indicados que disputam vagas em tribunais federais e estaduais.
Para conseguir o registro de uma candidatura, os concorrentes precisam formalizar o apoio de pelo menos seis dos 27 comandos estaduais.
A ideia, contudo, não foi adiante porque Vorcaro indicou que havia recebido informações de que “todo STF” e “todo STJ (Superior Tribunal de Justiça)” estavam alinhados e que Sérgio Leonardo seria “defenestrado” durante a pré-campanha.
Em fevereiro de 2025, Beto Simonetti foi reeleito com 100% dos votos.
Em nota, Rennó afirmou por mensagem que “houve interesse, mas o projeto não decolou”.
Sérgio Leonardo alegou não ter conhecimento da atuação de Vorcaro e que não usou dinheiro nem jatinhos do banqueiro para essa finalidade.
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