“Você, enquanto juíza, dando opiniões num regime. O que queria? Flores?”
Ex-deputado responde a críticas da ex-juíza sobre divulgação de carta de Jair Bolsonaro
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) rebateu uma publicação da ex-juíza Ludmila Lins Grilo, que questionou a estratégia da pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de divulgar uma carta do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) enquanto ele cumpre prisão domiciliar.
“A decisão (inconstitucional, claro) que proibia qualquer comunicação de Jair Bolsonaro com o mundo exterior, inclusive por interpostas pessoas, sempre foi essa. O que os envolvidos acharam que obteriam com a carta? Flores”, escreveu a ex-juíza no X, ao compartilhar um trecho da decisão que impedia o ex-presidente de utilizar qualquer meio de comunicação, inclusive por terceiros.
Em resposta, Eduardo relembrou da reclamação feita por Ludmila à decisão de Alexandre de Moraes que determinou o congelamento de sua aposentadoria.
“Por que você reclamou de ter sua aposentadoria congelada por Moraes (inconstitucional, claro)? Você, enquanto juíza, dando opiniões num regime. O que queria? Flores?”, rebateu.
Propaganda eleitoral antecipada?
Como mostramos mais cedo, além de suspender as visitas de Flávio a Jair até as eleições, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a defesa do ex-presidente esclareça, em 48 horas, se ele tinha conhecimento de que uma carta escrita durante a prisão domiciliar seria divulgada nas redes sociais do filho.
No despacho, Moraes encaminhou o caso ao procurador-geral eleitoral para apuração de eventual prática de propaganda eleitoral antecipada.
Segundo o ministro, Flávio utilizou o benefício de visita a Bolsonaro para obter um documento que tinha como finalidade exclusiva ser divulgado nas redes sociais, o que burlaria a proibição imposta ao ex-presidente de utilizar plataformas digitais, direta ou indiretamente.
“O contraste é evidente. Preso em 2018, Lula recebeu centenas de visitas e manteve interlocução política com seus aliados, inclusive Fernando Haddad. Durante a campanha eleitoral, manifestou-se publicamente por cartas, chegando a pedir votos para o candidato que o substituiu. Ainda preso, concedeu entrevistas à imprensa em 2019, e suas declarações repercutiram amplamente nas redes sociais”, disse Marinho sobre a decisão de Moraes.
“Não reivindicamos privilégios, mas igualdade perante a lei. Punir um filho e impedir o contato familiar porque ele tornou pública uma mensagem do pai representa uma grave tentativa de silenciamento”, acrescentou o parlamentar, que concluiu.
“Calar um preso dessa maneira é inconstitucional e representa a retomada de práticas próprias de regimes autoritários. Calar Bolsonaro é tentar calar a expressiva parcela da população brasileira que ele representa”.
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