Viana elogia Mendonça por apuração sobre cúpula da PF no caso INSS
Senador afirmou que o ministro do STF demonstra "coragem e coerência" ao apurar suposta interferência de Andrei Rodrigues
O senador Carlos Viana elogiou o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), por mandar apurar uma suposta interferência do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, nas investigações sobre o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, no âmbito do escândalo no INSS.
Segundo o parlamentar, “quem investiga de verdade, incomoda, especialmente quando a apuração chega perto de nomes sensíveis ao sistema”.
“Parabéns, ministro André Mendonça, pela coragem e pela coerência. Está apurando se o diretor-geral da PF obstruiu a Justiça no caso do INSS. Pediu acesso integral aos documentos e comunicação prévia de qualquer troca de equipe. A cúpula da PF resistiu e acionou a AGU. Agora o próprio chefe da Polícia Federal está sob apuração, sob legitimas suspeitas. Quem investiga de verdade incomoda. Especialmente quando a apuração chega perto de nomes sensíveis ao sistema. Continue! Não recue! O povo brasileiro precisa de quem não abaixa a cabeça. Deus te levantou!”, escreveu Viana no X.
Mendonça e a PF
Mendonça determinou que a PF encaminhe todos os documentos brutos das investigações sobre o escândalo no INSS.
No mês passado, o magistrado já havia ordenado que qualquer alteração na equipe responsável pelo caso dependesse de sua autorização prévia.
Segundo o G1, a crise se agravou após a PF pedir a abertura de um novo inquérito para apurar a atuação de Lulinha, durante o plantão do ministro Alexandre de Moraes. Com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR), o caso foi distribuído a Mendonça, relator da investigação principal sobre as fraudes no INSS.
O gabinete de Mendonça já demonstrava insatisfação com a condução das apurações e vinha cobrando informações sobre o andamento do inquérito.
A Polícia Federal, por sua vez, nega qualquer irregularidade e afirma que todos os procedimentos foram conduzidos com base em critérios técnicos.
AGU e Andrei Rodrigues
O impasse levou a corporação a acionar a Advocacia-Geral da União (AGU) para avaliar medidas em relação às restrições impostas por Mendonça ao compartilhamento de informações da investigação com superiores hierárquicos dos delegados responsáveis pelo caso.
De acordo com o G1, as manifestações da PF à AGU ocorrem desde janeiro.
As determinações do ministro chegaram ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, que manteve a decisão de não compartilhar os dados e encaminhou a controvérsia para análise da AGU.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou que não pretende contestar a decisão de Mendonça, mas sinalizou discordar da pressão exercida sobre Andrei Rodrigues.
Nos bastidores, o diretor-geral da PF questiona a determinação do ministro por considerar que o despacho não aponta fatos concretos que indiquem atuação irregular da corporação. Para delegados envolvidos na investigação, a medida é vista como uma intervenção na condução do inquérito.
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