Vereador preso por suspeita de ligação com PCC pede afastamento do PT
Senival Moura é acusado de atuar como operador político da facção junto ao poder público
O vereador Senival Moura pediu afastamento de sua filiação ao PT após ser preso na Operação Última Parada, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro do PCC por meio da empresa de ônibus Transunião, na capital paulista.
O Diretório Municipal do PT informou que o parlamentar pretende se dedicar à própria defesa e evitar que o caso seja associado à legenda.
Como mostramos mais cedo, a Justiça manteve a prisão temporária de Moura após audiência de custódia realizada na sexta-feira. Segundo a investigação conduzida pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil, o vereador exercia o controle de fato da Transunião, embora não ocupasse cargo formal na empresa.
A investigação
Os investigadores afirmam que Moura comandava uma estrutura paralela de gestão financeira e utilizava a concessionária para movimentar recursos destinados ao PCC.
A apuração começou após o assassinato de Adauto Soares Jorge, então presidente da Transunião, em 2020. De acordo com a polícia, o homicídio estaria relacionado a desvios de dinheiro dentro da empresa.
A investigação também aponta mensagens, planilhas e outros documentos que indicariam a participação do vereador na administração informal da concessionária e em repasses de recursos a integrantes da facção.
A Prefeitura de São Paulo decretou intervenção na Transunião por seis meses logo após a operação.
Defesa se manifesta
Em nota, a defesa de Senival Moura afirmou ter recebido a prisão “com profunda indignação” e disse que a medida causa “enorme surpresa” por ter sido determinada às vésperas do período eleitoral.
Disse ainda que o vereador “reafirma que confia na Justiça e tem absoluta convicção de que, ao longo da investigação, ficará demonstrada a inexistência de qualquer conduta ilícita de sua parte”.
O Diretório Municipal do PT informou que acompanhará o andamento das investigações e encaminhou o caso à Comissão de Ética do partido.
Senival já havia escapado de um processo de expulsão da legenda em 2014, quando foi investigado por suposta ligação com o PCC. Na ocasião, seu irmão, o então deputado estadual Luiz Moura, acabou expulso do partido.
Além de Moura, a operação prendeu Jair Ramos de Freitas, conhecido como Cachorrão, e Devanil de Souza Nascimento, o Sapo. Dois outros investigados seguem foragidos, e as diligências continuam para esclarecer o suposto esquema e identificar todos os envolvidos.
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