Vendem-se ativos do Master para lavar prejuízo
BRB tenta despejar no mercado carteiras controversas enquanto PF e Banco Central aprofundam investigações
O Banco de Brasília (BRB) tenta se desfazer das carteiras herdadas do Banco Master no momento em que o caso avança do noticiário econômico para o campo policial e político. Sob investigação da Polícia Federal e na mira do Congresso, a instituição decidiu levar ao mercado um pacote de ativos avaliado em R$ 21,9 bilhões.
A iniciativa ocorre no momento em que se multiplicam questionamentos sobre a compra dessas carteiras e sobre a capacidade do banco estatal de absorver eventuais perdas. Nesta quarta-feira (4), o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, esteve em São Paulo para conversar com potenciais compradores.
A movimentação comercial do BRB coincide com a ampliação do cerco institucional e político. No Senado, parlamentares articulam uma CPMI para apurar as operações envolvendo o Banco Master e os reflexos para o banco público do Distrito Federal. Paralelamente, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) criou uma subcomissão para acompanhar o caso e requisitar informações protegidas por sigilo bancário. Na Câmara dos Deputados, pedidos de esclarecimento foram encaminhados ao Banco Central e ao BRB sobre os critérios de avaliação dos ativos, os mecanismos internos de controle e as responsabilidades dos gestores envolvidos na negociação.
O pano de fundo
Estimativas em análise indicam que as perdas potenciais podem alcançar cifras bilionárias. O BRB afirma ter liquidado ou substituído cerca de R$ 10 bilhões dos R$ 12 bilhões pagos por carteiras consideradas inexistentes ou de difícil lastro. O banco também estuda medidas para recompor capital, entre elas a criação de um fundo imobiliário e eventual operação com o Fundo Garantidor de Crédito. A venda ocorre enquanto avança a Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga possíveis irregularidades na condução das operações e eventuais vínculos entre transações financeiras e agentes políticos.
Especialistas do mercado financeiro avaliam que os efeitos do caso podem ultrapassar o Distrito Federal e atingir a credibilidade da instituição no sistema bancário. Para críticos, a tentativa de repassar os ativos ao setor privado funciona como uma forma de reduzir o impacto imediato de um problema que ainda não foi totalmente dimensionado nos balanços públicos.
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