Velocista brasileira mira dupla participação em Los Angeles 2028
Atleta paralímpica com baixa visão quer disputar Olimpíada e Paralimpíada no mesmo ano
A corredora Rayane Soares, integrante do programa Time São Paulo, conquistou duas medalhas de ouro no Grand Prix de Atletismo de Rabat, no Marrocos, no último fim de semana de abril de 2026 — nas provas dos 100 metros e 400 metros da categoria para atletas com baixa visão.
O resultado reforça a posição da velocista maranhense no topo do ranking mundial e serve de base para uma meta sem precedentes no atletismo feminino brasileiro: disputar tanto os Jogos Olímpicos quanto os Paralímpicos de Los Angeles, em 2028.
Um objetivo inédito no atletismo nacional
Rayane Soares, 29 anos, natural de Caxias (MA), compete na categoria T13, destinada a atletas com acuidade visual entre 2/60 e 6/60 pés ou campo visual de até 40 graus. Portadora de microftalmia bilateral congênita, ela integra o cenário de elite desde 2015.
Nos Jogos Paralímpicos de Paris 2024, a atleta obteve ouro nos 400 metros e prata nos 100 metros. Em seguida, acumulou três medalhas no Mundial de Kobe 2024 e duas pratas no de Nova Déli 2025. Agora, o desafio é alcançar o índice exigido para competir na Olimpíada, ao lado de atletas sem deficiência.
“Meu foco é Los Angeles 2028. Além de defender meus títulos paralímpicos, quero buscar o índice olímpico. Eu conheço a pista de atletismo tão bem que me sinto pronta para correr em alto nível também como atleta olímpica. É uma questão de técnica e trabalho duro”, afirmou Rayane.
Feito histórico e apoio institucional
Se obtiver os índices necessários para ambas as competições em 2028, Rayane se tornará a segunda mulher brasileira a disputar Olimpíada e Paralimpíada no mesmo ano. A pioneira foi Bruna Alexandre, no tênis de mesa, em Paris 2024.
O suporte para essa trajetória vem da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SEDPcD) de São Paulo, por meio do Time São Paulo Paralímpico, programa que a atleta integra desde 2022. O governo estadual investe R$ 8,2 milhões no apoio a 157 atletas, com estrutura que inclui tecnologia esportiva, acompanhamento médico e suplementação.
Para Marcos da Costa, secretário de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, a iniciativa da corredora tem um significado mais amplo: “O objetivo da Rayane de disputar uma Olimpíada reforça que o esporte paralímpico brasileiro é sinônimo de elite mundial. Seguindo os passos de pioneiras como Bruna Alexandre, Rayane mostra que a técnica e o investimento correto permitem que nossos atletas ocupem todos os espaços”.
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