Vai ter ‘Dark Horse’ na delação de Vorcaro?
Ex-banqueiro relata repasse milionário vinculado a filme sobre Jair Bolsonaro e pode citar Flávio Bolsonaro em nova proposta de delação
Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, incluiu o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em versão atualizada de sua proposta de delação premiada, entregue à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República na segunda-feira, 1º de junho.
Segundo informações da CNN Brasil, o empresário descreveu pedidos do senador para que recursos fossem destinados à produção do longa-metragem Dark Horse, cinebiografia inspirada na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Esse é o mais importante disparado”
Mensagens obtidas pelo Intercept Brasil mostram que Vorcaro foi cobrado por um intermediário de Flávio, o empresário e pastor Fabiano Zettel, em um momento em que o banco já acumulava tensões regulatórias com o Banco Central.
“Cara, hoje é a data limite daquele primeiro aporte filme. Preciso acelerar. Estamos no laço”, disse o empresário Thiago Miranda, responsável por aproximar Flávio Bolsonaro e Vorcaro nas tratativas do projeto.
Miranda encaminhou a Vorcaro uma captura de tela de uma conversa com o próprio Flávio Bolsonaro.
No trecho reproduzido, o Flávio pede que Miranda pressione a equipe jurídica de Vorcaro: “Fala Thiago, te escrevo a pedido do pessoal do nosso filme pra vc dar um gás na resposta do jurídico do investidor”.
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Mais gente pode aparecer
A nova proposta também acrescenta personagens do campo político não mencionados na versão anterior e aprofunda episódios descritos de forma incompleta.
Na terça-feira, 2, a defesa do ex-banqueiro entregou um complemento de material às autoridades. Com as novas informações, a PF passou a analisar se há fatos inéditos suficientes para prosseguir com as negociações.
Rejeição anterior e troca de advogado
A proposta original foi rejeitada pela Polícia Federal duas semanas antes, sob a alegação de que Vorcaro havia omitido informações nos anexos apresentados. Segundo a jornalista Malu Gaspar, um contrato não assinado entre o banqueiro e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, aparecia na delação.
Após a recusa, o advogado José Luís Oliveira Lima deixou o caso, sendo substituído por Sérgio Leonardo na condução da defesa.
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