USP considera ação para retomar reitoria ocupada por estudantes
Reitor avalia medida legal enquanto aguarda assembleias que podem encerrar greve iniciada em abril
Estudantes em greve da USP (Universidade de São Paulo) mantêm, desde a tarde de quinta-feira, 7, a ocupação do hall da reitoria, localizada no campus da capital paulista. O reitor Aluísio Segurado afirmou, em entrevista Estadão nesta sexta-feira, 8, que não descarta recorrer ao Judiciário para retomar o espaço, mas prefere aguardar o desfecho de assembleias estudantis previstas para a semana seguinte antes de adotar medidas mais drásticas.
A paralisação foi aprovada pelo movimento estudantil em 14 de abril e deflagrada no dia 23, sob a coordenação do Diretório Central dos Estudantes (DCE). A mobilização se somou à dos servidores técnico-administrativos, que cruzaram os braços em protesto contra uma gratificação concedida exclusivamente aos docentes. Os servidores obtiveram avanços salariais e encerraram a greve; os estudantes optaram por continuar.
Na manhã desta sexta, a administração cortou o fornecimento de água e energia elétrica ao prédio ocupado e acionou a Polícia Militar para conter a situação. Segurado citou o episódio de 2023, quando uma ocupação semelhante exigiu “soluções jurídicas de mediação” para a desocupação do espaço. “Isso não está afastado”, declarou o reitor ao ser questionado sobre a possibilidade de ingressar com pedido de reintegração de posse.
Grevistas querem salário mínimo
A principal reivindicação dos grevistas é o reajuste PAPFE (Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil). Atualmente, o benefício varia entre R$ 335, para estudantes que residem na moradia universitária, e R$ 885, destinado ao auxílio integral. Os estudantes exigem R$ 1.804 — quantia equivalente ao salário mínimo do estado de São Paulo.
A reitoria propôs reajuste pelo índice IPC-FIPE, o que levaria o auxílio integral a R$ 912 mensais e o parcial a R$ 340. Segurado classificou a demanda estudantil de “impraticável” e declarou que os R$ 912 representam o limite possível: “Este é o valor final”.
Além do PAPFE, os manifestantes cobram melhorias na gestão do restaurante universitário, nas condições da moradia estudantil e no Hospital Universitário, que, segundo o movimento, teria perdido cerca de 30% de seu quadro de funcionários ao longo da última década.
Estudantes ou militantes?
A reitoria realizou três rodadas de negociação com os estudantes. Diante da recusa à proposta apresentada, encerrou as conversas sem acordo.
Na quinta-feira, manifestantes formaram um cordão humano bloqueando a entrada do edifício e, no período da tarde, invadiram o prédio. Parte deles estava com o rosto encoberto ou portava símbolos partidários — fato que o reitor disse observar “com tristeza”.
Segurado afirmou que outras unidades da universidade já votaram pelo fim da greve e expressou expectativa de que novas assembleias na semana seguinte possam ampliar esse movimento. “Pode haver uma mudança nessas correlações de força a partir dos avanços reais que já foram obtidos”, disse. O reitor também descartou novas rodadas de negociação e rejeitou a caracterização de que adota postura inflexível.
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