Unicamp rompe acordo com instituto israelense por ‘genocídio’ palestino
Universidade estadual rescinde unilateralmente cooperação com a Technion, firmado em 2023, após pressão de docentes e em protesto contra as ações do governo de Israel em Gaza
A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), através de sua Reitoria, determinou a rescisão unilateral e imediata de um acordo de cooperação que mantinha com o Instituto de Tecnologia de Israel (Technion). A decisão foi anunciada em Campinas, durante uma sessão do Conselho Universitário (Consu), nesta terça-feira, 30.
A justificativa para o rompimento é a posição assumida pela universidade, contrária à “escalada das ações do atual governo israelense contra o povo palestino na Faixa de Gaza”. A Unicamp se manifestou contra o que chama de “genocídio” da população palestina, e afirma que a situação “fere todos os princípios e valores de nossa universidade”.
Rescisão de acordo acadêmico
O acordo havia sido estabelecido em setembro de 2023. Ele tinha como objetivo fomentar a cooperação acadêmica, incluindo intercâmbios de docentes, pesquisadores e estudantes de pós-graduação e graduação, além de projetos de pesquisa em comum. O despacho da Reitoria que oficializou a decisão foi assinado pelo reitor Paulo Cesar Montagner, e classificou como “inaceitável” a condução das operações em Gaza. A universidade israelense, Technion, foi informada sobre o término imediato da parceria.
A Technion, instituição universitária mais antiga de Israel, é considerada uma das principais entidades globais na formação de cientistas e engenheiros. Para a Assembleia de Docentes da Unicamp (Adunicamp), entretanto, é um instituto ligado à indústria bélica israelense.
Pressão da comunidade acadêmica
O posicionamento institucional da Unicamp foi definido após forte pressão dos professores, que entendiam ser necessário que a Unicamp assumisse um “lado”, expresso na moção submetida ao Consu, que declara: “A Assembleia de Docentes da Universidade Estadual de Campinas, reunida em 23 de setembro de 2025, manifesta seu posicionamento contrário à manutenção do convênio entre a Unicamp e a Technion, por conta do genocídio do povo palestino perpetrado pelo Estado de Israel, e demanda que a Unicamp rompa, definitivamente, com este convênio”.
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Comentários (1)
Marian
30.09.2025 18:14Que retrocesso. Ei, e os outros genocídios ? na África, por exemplo ? Não entendi, é seletivo?