Um textão de Nikolas contra “ataques covardes e desonestos”
Deputado bolsonarista reprovou encontro de Nikolas com influenciador crítico do ex-presidente
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL) publicou nesta quarta-feira, 12, um longo texto nas suas redes sociais sobre os alegados “ataques covardes e desonestos” que estaria sofrendo após se encontrar com o youtuber Renato ’38tão’ em Minas Gerais.
Sem mencionar diretamente o deputado Mário Frias (PL), que criticou a conversa que Nikolas com “o vagabundo que diz que o Presidente Bolsonaro é uma cadela frouxa”, o congressista mineiro defendeu sua postura de dialogar com pessoas que não são “convertidas”.
“Falar apenas para convertidos, dedicar-se a brigas intermináveis que não fazem nenhum sentido para quem olha de fora, é ajudar a direita? É como apedrejar Paulo por estar pregando para os Romanos – já que foram eles mesmos que crucificaram Jesus. Não faz sentido algum“, escreveu no X.
Nikolas afirmou que não teme perder “apoiadores e poder político”.
“Não temo os riscos de me manter fiel a meus princípios e valores, em ser verdadeiro e honesto; se tiver que perder apoiadores, poder político, que seja, estou disposto a pagar o preço, pois quem acredita que vale a pena abrir mão de valores e princípios para se chegar a algum lugar, em verdade nunca os teve em seu coração.
Eis a íntegra do texto.
“Faço esse post tão somente para me dirigir àquelas pessoas que, por ingenuidade e inocência, possam estar sendo afetadas e induzidas à erro pela campanha de ataques covardes e desonestos que venho sofrendo há meses.
É gente que simula virtude e boa intenção, que finge estar movida por algum nobre propósito, mas que em verdade, age em função de sentimentos e interesses que talvez não admitem nem pra si mesmos. E não direciono a um somente, mas a vários, que exigem um maturidade em mim, que está ausente neles mesmos.
Me movo de acordo com os valores e convicções, e não com base em um manual de conduta saído da mente de quem se imagina, por alguma razão, ter relevância, grandeza e moral para ser fiscal da conduta alheia. Não vou parar, nem mesmo ser submisso ao medo do julgamento e ataques coordenados dos perfis falsos que fazem suas opiniões parecerem ter eco no povo ou serem relevantes no mundo real.
A minha postura de não sair esculhambando descontroladamente qualquer um que tenha nutrido alguma insatisfação pelo Presidente após o seu governo é simples: ele precisa de apoio e, por incrível que pareça, xingar aos quatro cantos não me parece a mais inteligente e eficiente de conseguir isso.
É realmente difícil imaginar que nos últimos meses alguma alma viva insatisfeita tenha pensado “É, tem razão, vou votar no Bolsonaro” logo após ter sido chamado de mau caráter, burro, desleal, aproveitador, psicopata, traidor, vagabundo” por algum autodenominado fiel escudeiro do Presidente.
Falar apenas para convertidos, dedicar-se a brigas intermináveis que não fazem nenhum sentido para quem olha de fora, é ajudar a direita? É como apedrejar Paulo por estar pregando para os Romanos – já que foram eles mesmos que crucificaram Jesus. Não faz sentido algum.
Não temo os riscos de me manter fiel a meus princípios e valores, em ser verdadeiro e honesto; se tiver que perder apoiadores, poder político, que seja, estou disposto a pagar o preço, pois quem acredita que vale a pena abrir mão de valores e princípios para se chegar a algum lugar, em verdade nunca os teve em seu coração.
E para aqueles que tem alguma dúvida sobre o que me move e em que acredito, peço que reflitam: vivemos em um País em que se encontra instaurada uma ditadura cruel, que subverteu toda a ordem democrática, aprisionou pessoas inocentes – que ainda continuam tolhidas em sua liberdade e do convívio de sua família -, e que foi responsável pela morte do Clezão, despedaçando o futuro e esperanças de uma família inteira; um País em que o povo tem necessidades básicas, e cujo Presidente trabalha de maneira irresponsável e inconsequente para nos conduzir ao caos econômico e financeiro.
E alguém que, ao invés de combater todo o mal que assola nosso povo, esteja preocupado em gastar seu tempo, energia e capacidade tão somente para atacar e criticar um dos parlamentares que mais lutou contra e expôs esse estado de coisas nos últimos anos, é realmente movido por virtudes e preocupações legítimas com o bem comum? A resposta todo mundo já tem.
Aliás, procurem no histórico das redes sociais onde estavam e o que estavam falando esses tão bem intencionados críticos nos piores momentos, quando prisões estavam ocorrendo e incertezas quanto ao futuro reinavam, e estávamos eu e outros colegas parlamentares, com coragem quase suicida, lutando por justiça na CPMI do 8.1. Ou quando, ao longo desses três últimos anos, por inúmeras vezes me expus e me arrisquei para lutar contra o estado de coisa em que vivemos.
Sugiro que cada um faça o seu trabalho e conduza as suas ações de acordo com aquilo que acredita, e o futuro, e o povo, dirão quem está com a razão. Construam, ao invés de tentarem destruir quem o faz. Certamente ninguém, muito menos o Brasil, ganha alguma coisa com intriguinhas e fofocas, quando temos forças gigantescas para enfrentar.
Repito: você que está aí, lendo e pensando que esse texto é sobre você, acredite, não é! Você não é tão importante.
Parem de perder tempo falando mentiras e criando narrativas contra mim, que eu continuo o meu trabalho olhando para a frente, para o que precisa ser feito, sem ter que algum dia, perder tempo falando verdade sobre vocês – ou quem se esconde atrás de vocês”, escreveu.
Leia mais: “Bolsonaro se impõe com “Fora Lula 2026”
Desconforto
A relação turbulenta entre Nikolas e alguns aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro ficou mais evidente durante a convocação dos protestos pelo impeachment do presidente Lula (PT).
O congressista não sustentou a manifestação marcada para Belo Horizonte, dizendo que “não estava organizando” o ato.
“Como eu não estava organizando a manifestação em BH, não tinha o poder de cancelar ou não. Somente de apoiar – como estava fazendo. E até então, estava mantida. Agora, não mais, pelo que soube, junto com vocês aqui”, comentou Nikolas em post.
Só em 2026?
Depois de Bolsonaro divulgar um vídeo para detalhar a pauta da manifestação que promove no Rio de Janeiro, Nikolas, entre outros aliados do ex-presidente, reclamaram da falta de pressão pelo impeachment de Lula.
“Graças ao movimento de impeachment da Dilma, o Bolsonaro ganhou ainda mais força. Não dá pra cravar o futuro assim. Não to entendendo o porque (sic) não deixar as pessoas manifestarem sua indignação nas ruas… o poder pelo jeito não emana do povo”, reclamou Nikolas na semana passada.
O deputado federal Ricardo Salles (NOVO) afirmou que “não tem essa palhaçada de Fora Lula 2026 coisa nenhuma”.
“Se não der, seja por causa do apertado calendário eleitoral ou qualquer outra razão inerente à política, paciência, daí a gente tira pelo voto em 2026, beleza. Mas o Brasil não aguenta mais essa turma aí não. Chega, já deu”, escreveu no X.
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Comentários (1)
Fabio B
13.03.2025 07:38O gabinete do ódio agora é real então? Quando servia aos interesses dele, era só teoria da conspiração. Mas bastou virar alvo para descobrir que existe. Que conveniente!