Tuiuti: a despedida da era woke?
Enquanto grandes corporações, governos e a opinião pública internacional caminham para superar o radicalismo identitário, a escola Paraíso do Tuiuti traz mais um enredo panfletário e possivelmente anacrônico
A Paraíso do Tuiuti, conhecida por seus enredos políticos e alinhamento à esquerda, trouxe para a Sapucaí neste Carnaval um desfile marcado pelo transativismo, dando destaque à deputada Erika Hilton, do PSOL.
A escolha do tema chama atenção em um momento em que, ao redor do mundo, grandes corporações, governos e até o público parecem dar sinais de fadiga diante do progressismo identitário mais radical.
Nos Estados Unidos, empresas como Disney, Budweiser e Target enfrentaram boicotes e perdas bilionárias após campanhas de marketing que insistiram em pautas identitárias sem sintonia com o público.
No meio acadêmico, universidades vêm sendo pressionadas a rever políticas que limitam o debate e impõem visões sectárias. Até mesmo o Partido Democrata, tradicionalmente próximo desses movimentos, tem ajustado o discurso diante da resistência de uma base eleitoral preocupada com questões econômicas e sociais mais concretas.
O fenômeno não se restringe aos EUA. No Reino Unido, a primeira-ministra escocesa Nicola Sturgeon deixou o cargo após controvérsias envolvendo leis de identidade de gênero
Na França, a cerimônia de abertura das Olimpíadas de Paris, no ano passado, apostou fortemente no transativismo, mas foi recebida com frieza pelo público e por analistas que criticaram a politização de um evento global que deveria promover unidade
Em diversos países, governos conservadores vêm ganhando espaço justamente por canalizarem a insatisfação de parte da população com pautas identitárias que, para muitos, soam distantes da realidade do cidadão comum.
No Brasil, o Carnaval sempre teve espaço para manifestações políticas e sociais, mas há um equilíbrio delicado entre expressão artística e militância.
A Tuiuti, que em anos anteriores já trouxe enredos de forte viés político, agora reforça uma agenda que, ao redor do mundo, começa a ser questionada. Em um evento que celebra a cultura popular e a diversidade de opiniões, o risco de transformar o desfile em um palanque de nicho pode acabar afastando parte do público.
O cenário global sugere uma mudança de ventos. O progressismo identitário, que dominou o debate público nos últimos anos, começa a dar lugar a um discurso mais voltado para questões pragmáticas e valores compartilhados pela maioria da população.
Se a Tuiuti reflete uma persistência nesse modelo ou se este desfile será lembrado como um dos últimos ecos dessa era, só o tempo dirá. O fato é que, no mundo todo, há sinais claros de que a sociedade está em busca de um novo equilíbrio.
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Comentários (1)
Ita
05.03.2025 18:46KKKKKK, para a deputada é beleza, sai na mídia ....falam mal mas.... acho que são os últimos ecos da era. Ano que vem, acredito que não mais haverá.