“Tudo precisa ser investigado”, diz Tereza Cristina sobre Ciro
Líder do PP no Senado espera que o presidente do seu partido tenha “ampla defesa”; Senador nega irregularidades
“Tudo precisa ser investigado. Se existe alguma coisa, precisa ser investigada. Também ter que dar o direito de ampla defesa e não julgar antes de saber o resultado das investigações”, disse nesta quinta-feira, 7, a senadora Tereza Cristina (PP-MS), líder do PP no Senado, sobre a inclusão do presidente de seu partido, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), entre os alvos da Operação Compliance Zero.
Autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, a operação investiga a relação entre Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
Segundo os investigadores, o senador teria recebido pagamentos mensais de R$ 300 mil do banqueiro — valor que, de acordo com relatos colhidos pela PF, teria chegado a R$ 500 mil. Em troca, Nogueira teria colocado seu mandato a serviço dos interesses da instituição financeira no Congresso Nacional.
Além dos repasses em dinheiro, a investigação aponta que Vorcaro teria cedido ao senador, sem custo e por prazo indeterminado, um imóvel de alto padrão.
A PF também identificou gastos com viagens internacionais custeadas pelo banqueiro, entre eles estadias no Park Hyatt New York, refeições em restaurantes de luxo e despesas pessoais do parlamentar e de uma acompanhante, cobertas por um cartão disponibilizado por Vorcaro.
No celular do banqueiro, os agentes encontraram mensagens trocadas com o senador e registros de ordens de pagamento direcionadas a alguém identificado como “Ciro”.
Flávio corre risco?
Ciro Nogueira afirmou conhecer Vorcaro, mas negou proximidade e o recebimento de qualquer pagamento. Sua defesa divulgou nota em que “repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar”, e classificou as medidas investigativas como possivelmente “precipitadas”, sinalizando que o tema deverá ser submetido às cortes superiores.
O caso ocorre em momento politicamente delicado para o PP. O partido é um dos que articulam apoio à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República nas eleições de 2026. Perguntada sobre o impacto das investigações no cenário eleitoral, Tereza Cristina preferiu não responder diretamente.
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