TST multa grife de luxo por protelar ação judicial
Empresa buscava anular uma citação que, segundo ela, foi feita em um endereço diferente do informado na ação trabalhista.
O Tribunal Superior do Trabalho (TST) recentemente decidiu aplicar uma multa a uma grife de luxo devido à apresentação de um recurso considerado inadequado e com intenção de atrasar o processo.
A empresa buscava anular uma citação que, segundo ela, foi feita em um endereço diferente do informado na ação trabalhista. O caso teve início com a reclamação de um vendedor que alegou ter sido contratado para uma função específica, mas acabou acumulando responsabilidades adicionais após um curso nos Estados Unidos.
Ele reivindicava diferenças salariais por ter atuado também como visual merchandising, função que envolve a organização de produtos para atrair clientes.
Com informações do Conjur.
Por que a grife de luxo não compareceu à audiência?
A ausência da empresa na audiência resultou em uma condenação à revelia. A defesa argumentou que a citação não foi feita no endereço correto, conforme indicado pelo ex-funcionário.
No entanto, a decisão foi mantida, pois a citação ocorreu em dois endereços oficiais da empresa, registrados em órgãos competentes.
Desde então, a empresa tem buscado, sem sucesso, a anulação da citação. O relator do caso no TST, ministro Ives Gandra Filho, rejeitou o recurso, afirmando que há uma presunção de que a notificação postal foi recebida corretamente, cabendo à empresa provar o contrário.

O que define um recurso protelatório?
O TST considera que a falta de aviso de recebimento não é suficiente para invalidar a notificação. A empresa recorreu novamente, tentando levar o caso a um colegiado.
No entanto, o relator reafirmou que o recurso não atendia aos critérios de transcendência necessários para ser aceito. As questões levantadas não eram novas, o valor da condenação era baixo e a decisão anterior não contrariava jurisprudências superiores.
O relator destacou que a insistência da empresa em continuar com um recurso sem perspectiva de sucesso evidencia seu caráter protelatório.
A reforma trabalhista introduziu a sistemática da transcendência para agilizar o TST na análise de questões jurídicas e na uniformização de decisões.
Consequências do uso indevido de recursos judiciais
A persistência da empresa em recorrer de forma abusiva não apenas sobrecarrega o sistema judiciário, mas também prejudica o trabalhador envolvido.
O relator enfatizou que tal comportamento não se configura como um exercício legítimo do direito de recorrer, mas sim como um abuso desse direito.
A decisão do TST visa, portanto, desencorajar práticas que atrasam o andamento dos processos e garantir que a justiça seja administrada de maneira eficiente e justa.
Com base nas informações fornecidas pela assessoria de imprensa do TST, o caso sublinha a importância de utilizar os recursos judiciais de maneira responsável, respeitando os princípios de boa-fé e eficiência processual.
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