TSE e USP testam urna eletrônica mais acessível
Parceria entre instituições busca alternativas ao teclado físico para ampliar autonomia de eleitores com deficiência
Uma parceria entre o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a Universidade de São Paulo (USP) estuda mudanças na interface das urnas eletrônicas para as eleições gerais deste ano.
O projeto reúne o Laboratório de Arquitetura e Redes de Computadores (LARC), da Escola Politécnica, e a Faculdade de Arquitetura, Urbanismo e Design (FAU), com o objetivo de criar formas de votação que não dependam exclusivamente do teclado físico, hoje o principal obstáculo enfrentado por eleitores com deficiência.
Autonomia no voto
Segundo a professora Lúcia Filgueiras, da Escola Politécnica e pesquisadora do LARC, a iniciativa integra o projeto Eleições do Futuro, mantido em conjunto com a Justiça Eleitoral.
Atualmente, pessoas com deficiência podem votar acompanhadas de alguém de confiança, que as auxilia inclusive na digitação — solução que, segundo ela, compromete o sigilo do voto.
“O problema é que isso fere a autonomia dessas pessoas. O ideal é que todo mundo tenha direito ao sigilo do voto”, afirmou Filgueiras. A partir desse diagnóstico, a equipe passou a investigar alternativas de interação com o equipamento, o que exigiu repensar a disposição das informações na tela — e motivou a entrada da FAU no projeto.
Competição reuniu alunos de design
A colaboração com a faculdade se concretizou por meio de uma disciplina de design de interação e informação, comandada pelo professor Leandro Velloso, no fim do ano passado.
Cerca de 30 estudantes de graduação e três de pós-graduação, organizados em 12 equipes, participaram de uma competição baseada em design paralelo, método em que grupos distintos propõem soluções separadas para o mesmo problema.
“Surgem vários caminhos. Então, a gente consegue comparar propostas, identificar o ponto forte de uma e combinar as ideias”, explicou Filgueiras sobre a metodologia adotada. As equipes pesquisaram questões de acessibilidade e mapearam os fluxos de votação antes de desenvolver os protótipos submetidos à disputa.
Mudanças alcançam todos os eleitores
Embora o foco inicial fosse preservar as características da urna tradicional, os estudantes ampliaram o escopo da pesquisa durante o processo. “Eles resolveram, cada um ao seu modo, essa questão da acessibilidade, mas também sugeriram outras melhorias que acabam beneficiando todo mundo”, disse Velloso.
Entre as propostas apresentadas estão ajustes na tipografia, nos elementos gráficos e na hierarquia das informações exibidas na tela.
As tecnologias assistivas ainda passam por testes para confirmar se atendem à abrangência de acessibilidade pretendida. Os beneficiados incluem, além de pessoas com deficiência, idosos, eleitores com dificuldades visuais e aqueles com pouca familiaridade com dispositivos digitais.
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