Trump não é bom cabo eleitoral, indica pesquisa
Levantamento mostra que 42% dos eleitores avaliam que um eventual apoio do presidente dos EUA prejudicaria um candidato à Presidência
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aparece mais como um passivo do que como um ativo eleitoral na disputa presidencial brasileira de 2026.
Levantamento do PoderData/Aya mostra que 42% dos eleitores consideram que um eventual apoio do republicano a um candidato à Presidência teria impacto negativo sobre a campanha. Outros 32% avaliam que o efeito seria positivo, enquanto 20% afirmam que esse apoio não faria diferença.
Os números surgem em meio ao agravamento da crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos, marcada pela confirmação, em 15 de julho, da tarifa de 25% sobre milhares de produtos brasileiros exportados ao mercado americano. A medida ampliou o desgaste político em torno da aproximação entre aliados brasileiros e o presidente americano.
O tema ganhou relevância porque o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato ao Palácio do Planalto, intensificou nos últimos meses os gestos de alinhamento com Trump.
A estratégia, no entanto, passou a enfrentar um novo obstáculo após a entrada em vigor do tarifaço, explorado pelo governo Lula como exemplo de que a relação entre o bolsonarismo e o republicano teria produzido efeitos econômicos negativos para o Brasil.
A pesquisa sugere que a associação ao presidente americano pode representar um risco eleitoral maior do que um benefício, especialmente em um momento em que a política comercial dos Estados Unidos ocupa espaço central no debate público.
Lula
O presidente Lula (PT) também busca capitalizar o episódio. O Planalto aposta no discurso de defesa da soberania nacional e trabalha para vincular a sobretaxa imposta pelos Estados Unidos ao histórico de aproximação entre Trump e a família Bolsonaro.
O levantamento foi realizado entre 12 e 15 de julho, com 2.400 entrevistas por telefone em 685 municípios das 27 unidades da Federação. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
A divulgação ocorre às vésperas do início mais intenso da pré-campanha presidencial, indicando que a imagem de Trump, longe de funcionar como um trunfo eleitoral automático no Brasil, encontra resistência junto à maior parcela do eleitorado.
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