TRE-RJ cobra de partidos filtro contra crime organizado
Desembargador quer barrar candidaturas ligadas a milícias e tráfico antes mesmo das convenções partidárias no Rio de Janeiro
O presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro, desembargador Claudio de Mello Tavares, pediu nesta sexta-feira que os partidos políticos impeçam o registro de candidatos com vínculos ao crime organizado.
O apelo foi feito durante encontro com diretórios regionais das siglas, no qual o magistrado propôs uma atuação conjunta entre a Justiça Eleitoral e os partidos para evitar que nomes ligados a facções ou milícias cheguem às urnas nas eleições de 2026.
Tribunal promete rigor na análise dos registros
Segundo o desembargador, o tribunal examinará com atenção redobrada os pedidos de candidatura, principalmente daqueles associados a organizações criminosas. Tavares classificou os partidos como responsáveis por uma etapa preventiva desse controle.
“Se passar pelos senhores, certamente não vai passar por aqui não”, declarou o magistrado, ao defender que a triagem comece internamente nos partidos, ainda na fase de homologação das candidaturas.
O vice-presidente e corregedor regional eleitoral, desembargador Fernando Cerqueira Chagas, também presente ao encontro, reforçou o posicionamento do tribunal. “É inconcebível que nós tenhamos candidatos ligados ao crime, de qualquer forma, de qualquer maneira”, afirmou, cobrando dos dirigentes partidários maior atenção na escolha dos nomes.
De acordo com Tavares, a primeira análise sobre possíveis ligações entre postulantes e o crime organizado cabe ao procurador regional eleitoral, que recebe relatórios de inteligência das polícias Civil, Militar e Federal, além de órgãos estaduais. Havendo indícios suficientes, o caso é levado à apreciação da Corte, que pode indeferir o registro mesmo sem antecedentes criminais formais contra o candidato.
Segurança pública motiva medidas extras
Antes da reunião com os partidos, Tavares descreveu a situação da segurança pública fluminense como “caótica” e disse manter contato direto com o Tribunal Superior Eleitoral sobre o tema. Segundo ele, o ministro Nunes Marques, presidente do TSE, reconhece que o estado exige tratamento diferenciado, e os levantamentos feitos no Rio são encaminhados a Brasília.
Na quinta-feira, véspera do encontro, o TRE-RJ havia aprovado solicitação do governador Ricardo Couto para reforço federal de segurança durante o pleito. O pedido segue agora para avaliação do TSE, responsável pela decisão final.
O tribunal informou ainda que trabalha no mapeamento de áreas dominadas pelo crime organizado para definir a realocação de urnas eletrônicas em locais considerados de risco. Também foi criado o Gabinete Extraordinário de Segurança Institucional (Gaesi), voltado às eleições de 2026, com participação de forças de segurança municipais, estaduais e federais.
A iniciativa integra o Grupo de Trabalho Unificado de Defesa da Integridade Eleitoral e atua em duas frentes: a realocação de seções eleitorais em regiões de risco e o compartilhamento de dados de inteligência para impedir candidaturas vinculadas a organizações criminosas.
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