Transparência Internacional critica uso da Lei Magnitsky contra Moraes: “duplo padrão”
Organização de combate à corrupção acusa o que considera uma aplicação politizada da legislação americana de direitos humanos
A Transparência Internacional Brasil, organização sem fins lucrativos para o combate à corrupção, manifestou preocupação com a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
Para a TI, Donald Trump emprega a norma de forma seletiva, instrumentalizando-a para objetivos políticos e econômicos.
Essa tendência é exemplificada pela sanção ao ministro brasileiro, em contraste com a ausência de medidas contra aliados, como o presidente salvadorenho Nayib Bukele, “um líder amplamente denunciado por violações sistemáticas de direitos humanos”, e o ministro húngaro Antal Rogán, “acusado de orquestrar esquemas de corrupção e de facilitar a captura do Estado na Hungria”.
Tal duplo padrão, segundo a entidade, ameaça a soberania nacional brasileira e a integridade do regime global de sanções.
Críticas justas ao STF
De acordo com comunicado no X, “a Transparência Internacional Brasil tem feito críticas recorrentes ao STF, tanto pela impunidade generalizada em casos de corrupção quanto por abusos de poder cada vez mais normalizados. Essas preocupações não devem ser ignoradas, pois representam uma ameaça real à democracia brasileira. No entanto, nada disso justifica a interferência de um governo estrangeiro que desrespeita princípios fundamentais do direito, como a soberania nacional e a separação dos poderes”.
Aos aliados, tudo; aos inimigos, a lei
Ainda a respeito do que considera uma aplicação política e arbitrária da medida pelo governo americano, o órgão pondera que “enquanto Bukele e Orbán são considerados aliados estratégicos a despeito de seus abusos, um magistrado brasileiro — por mais controverso que seja — que enfrenta interesses políticos e econômicos alinhados com Trump e sua rede é sancionado sob a Lei Global Magnitsky. Esse duplo padrão revela a instrumentalização do discurso de direitos humanos para fins geopolíticos, minando os próprios princípios que a Lei Magnitsky afirma defender”.
A “aplicação seletiva” da lei mina a credibilidade do regime internacional de sanções, e dá razões à percepção de que a lei está sendo usada como arma política, e não como dispositivo jurídico legítimo e democrático.
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Comentários (3)
FRANCISCO JUNIOR
30.07.2025 21:11STF erra muito, principalmente no inquérito das Fake News e do fim da Lava Jato. Mas isso não justifica essa intromissão dos EUA aqui, assunto para resolver internamente, ajustando as leis - só que o nosso Congresso Nacional não faz nada disso, prefere deixar o circo pegar fogo.
MARCOS
30.07.2025 20:00ALÔ TI, OS EUA FOI O ÚNICO QUE FEZ ALGUMA COISA CONTRA A TIRANIA. NOSSO CONGRESSO É VENDIDO E NADA FAZ.
Carlos Augusto Lins Brito Da Silva
30.07.2025 19:15Interessante é saber que a frase “Aos aliados, tudo; aos inimigos, a lei” que está no texto é aplicada também pelo nosso Supremo, quando abriu a porteira para a corrupção da esquerda e persegue de forma implacável os inimigos do poder. Exemplos é que não faltam.