TJ-SP suspende aposentadoria de juiz que usava falso nome britânico
Segundo MP, José Eduardo criou identidade falsa nos anos 1980 e conseguiu enganar “quase todas as instituições públicas” por mais de 40 anos
O presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), Fernando Antonio Torres Garcia, determinou a suspensão, “até nova ordem”, do pagamento da aposentadoria do ex-magistrado Edward Albert Lancelot Dodd Canterbury Caterham Wickfield — nome adotado por José Eduardo Franco dos Reis durante mais de quatro décadas de carreira na Justiça paulista.
A medida foi anunciada em nota oficial do TJ-SP, que citou “questão pendente de apreciação no âmbito jurisdicional” e lembrou que o processo corre em segredo de Justiça.
A decisão foi tomada após denúncia do Ministério Público de São Paulo (MPSP), que acusa o ex-juiz de uso de documento falso e falsidade ideológica.
Em fevereiro deste ano, ele recebeu R$ 166.413,94 em vencimentos brutos, segundo o Portal da Transparência. O valor líquido foi de mais de R$ 143 mil.
Identidade falsa
Segundo a promotoria, José Eduardo criou uma identidade falsa no início dos anos 1980 e, sob o nome britânico inventado, conseguiu enganar “quase todas as instituições públicas” por mais de 40 anos.
Ele ingressou na Faculdade de Direito da USP com documentos falsos e atuou como juiz do TJ-SP entre 1995 e 2018, quando se aposentou.
O caso veio à tona em 2023, quando o ex-magistrado tentou obter a segunda via do RG no Poupatempo da Sé, no centro de São Paulo. Durante o processo, a fraude foi descoberta.
Reis prestou depoimento em dezembro à Delegacia de Combate a Crimes de Fraude Documental e Biometria. À polícia, afirmou que Edward Wickfield seria seu irmão gêmeo, supostamente entregue a outra família na infância. Disse ainda que só teria conhecido o irmão na década de 1980, após a morte do pai. Alegou que o irmão, já aposentado, retornou à Inglaterra e pediu que ele renovasse o documento em seu nome.
Reis apresentou um endereço em Londres e um telefone de contato. Às autoridades, se identificou como artesão.
USP
A Faculdade de Direito da USP confirmou que o ex-juiz apresentou documentação completa ao se matricular, sob o nome falso, e considerou improvável a anulação do diploma, já que o caso ocorreu há mais de 40 anos.
Ex-colegas da universidade, alguns hoje professores, relataram que o nome britânico era motivo de vaidade por parte de Reis — e também de chacota entre estudantes no Largo São Francisco.
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Comentários (4)
ALDO FERREIRA DE MORAES ARAUJO
10.04.2025 18:58Este nome inventado mostra uma total ignorância do criador sobre qualquer conhecimento de história britânica. Um monte de palavras soltas, seria no mínimo um delírio de algum pai e tolerado pelo cartório de registro, coisa comum no Brasil.
Marian
05.04.2025 17:45E julgou os outros a vida toda. Não se trata só do nome, mas pelo menos é concursado.
jni
05.04.2025 13:19R$ 166 mil de aposentadoria, que beleza.
Eduardo Saviniano Brum Infantini
05.04.2025 11:44Falando em nome britânico temos o caso do ex-presidente Sarney.Seu pai tinha um amigo britânico chamado Sir Ney.Daí veio a idéia de mudar José Ribamar Ferreira de Araujo Costa,simplificando,para José Sarney.