“Tenho consciência que o Wagner é honesto”, diz Lula
Petista afirmou que e não pode basear sua avaliação em “ilações” e que o senador deverá responder se tiver cometido crime
O presidente Lula (PT) saiu em defesa do senador Jaques Wagner (PT-BA) e afirmou ter a “consciência” de que o político baiano é “honesto”.
Wagner foi alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) que investiga um esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.
Durante entrevista à TV Globo, Lula afirmou que o senador tinha relação com o ex-sócio da instituição Augusto Ferreira Lima que, segundo ele, “não era do Master”.
“O Banco Master causou um prejuízo a esse país de 60 bilhões de reais. Não foram 60 dólares. Há muita gente nesse país envolvido. Jaques tem relação com Augusto [Fereira] que não era do Master. Não posso fazer política com base em ilações. As pessoas são inocentes até que se prove o contrário“, disse.
“Ele é um homem que tem relação comigo. Não posso colocar em dúvida o comportamento comigo. Tenho consciência que o Wagner é honesto. Se ele cometeu um crime, vai pagar. Não sou uma pessoa que mudo de calçada se um amigo fora acusado.”
Emendas Master
Segundo a PF, Wagner mantinha contato frequente com Augusto Lima, com quem trocou dezenas de ligações entre 2023 e 2025.
As mensagens analisadas mostram encontros entre as famílias, viagens e convites para eventos privados, além de conversas sobre assuntos relacionados ao Banco Master.
Os investigadores afirmam que o senador acompanhava pautas de interesse da instituição, entre elas a chamada “Emenda Master”, proposta que ampliava o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
A corporação sustenta que Daniel Vorcaro, ex-CEO do banco, via Wagner como um aliado político nas articulações em torno do tema.
A PF também cita supostas vantagens recebidas pelo senador, como voos em aeronaves ligadas ao grupo, presentes, ingressos para um show da cantora Taylor Swift e negociações envolvendo a compra de um apartamento de 2,45 milhões de reais em Salvador. Segundo o relatório, a operação do imóvel teria seguido modelo semelhante ao identificado em outros casos investigados.
Outro trecho do documento relata reuniões entre Wagner e Augusto Lima no gabinete do senador. Em uma das mensagens, o senador teria sugerido que o empresário acessasse o local por um caminho mais discreto. A PF ainda afirma que o parlamentar reagia a atualizações sobre os negócios do Banco Master enviadas por Augusto, demonstrando acompanhamento das movimentações da instituição.
Antes da operação de busca e apreensão realizada em 18 de junho, André Mendonça autorizou o monitoramento da localização aproximada do celular de Wagner por dez dias e a obtenção de registros telefônicos, sem acesso ao conteúdo das conversas.
A Polícia Federal afirma haver indícios de que o senador recebeu benefícios em troca de atuação parlamentar favorável aos interesses do Banco Master.
A defesa de Jaques Wagner negou irregularidades.
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