“Tenho certeza de que vou provar minha inocência”, diz Jaques Wagner
Relatório da Polícia Federal tornado público por André Mendonça detalha relação de senador petista com ex-sócio do Banco Master
O senador e pré-candidato à reeleição Jaques Wagner (PT-BA) disse nesta sexta-feira, 31, ter “certeza de que vai provar sua inocência” nas investigações da Polícia Federal (PF) que ligam seu nome ao Banco Master.
A investigação descreve uma relação de proximidade entre o parlamentar e o ex-sócio da instituição Augusto Ferreira Lima, conhecido como “Guga”. Os documentos, tornados públicos pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), apontam que esse vínculo teria aberto espaço para interlocuções sobre interesses do banco no Congresso.
Segundo a PF, Wagner mantinha contato frequente com Augusto Lima, com quem trocou dezenas de ligações entre 2023 e 2025. As mensagens analisadas mostram encontros entre as famílias, viagens e convites para eventos privados, além de conversas sobre assuntos relacionados ao Banco Master.
Os investigadores afirmam que o senador acompanhava pautas de interesse da instituição, entre elas a chamada “Emenda Master”, proposta que ampliava o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). A corporação sustenta que Daniel Vorcaro, ex-CEO do banco, via Wagner como um aliado político nas articulações em torno do tema.
O petista deu a declaração, nesta sexta, em entrevista à Rádio Baiana FM. Ele afirmou que está “tranquilo“ e que seu foco são as eleições de outubro.
“O inquérito evidentemente demora um tempo. Agora, estou de olho na eleição, temos dois meses para ela acontecer, e sábado vai ser a nossa convenção com a presença do Lula”, pontuou.
“A Polícia Federal que faça o seu trabalho, investigue, proponha ao Ministério Público, o Ministério Público avalie e o magistrado vai julgar. Como diz o presidente Lula, ‘Galego, só quem sabe o que você fez é você mesmo’ – eu sei o que eu fiz e estou tranquilo”, declarou também.
A PF também cita supostas vantagens recebidas pelo senador, como voos em aeronaves ligadas ao grupo, presentes, ingressos para um show da cantora Taylor Swift e negociações envolvendo a compra de um apartamento de 2,45 milhões de reais em Salvador. Segundo o relatório, a operação do imóvel teria seguido modelo semelhante ao identificado em outros casos investigados.
Outro trecho do documento relata reuniões entre Wagner e Augusto Lima no gabinete do senador. Em uma das mensagens, o senador teria sugerido que o empresário acessasse o local por um caminho mais discreto. A PF ainda afirma que o parlamentar reagia a atualizações sobre os negócios do Banco Master enviadas por Augusto, demonstrando acompanhamento das movimentações da instituição.
Antes da operação de busca e apreensão realizada em 18 de junho, André Mendonça autorizou o monitoramento da localização aproximada do celular de Wagner por dez dias e a obtenção de registros telefônicos, sem acesso ao conteúdo das conversas.
A Polícia Federal afirma haver indícios de que o senador recebeu benefícios em troca de atuação parlamentar favorável aos interesses do Banco Master.
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