“Tem medo de alguma coisa”, diz Lula sobre fuga de Flávio
Reeleito no domingo, presidente comentou apuração da PF sobre suposta saída do rival do PL rumo aos EUA
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cobrou nesta terça-feira, 27, que Flávio Bolsonaro (PL) permaneça no Brasil para responder às investigações em que é alvo. A declaração veio depois de a Polícia Federal começar a apurar uma suposta tentativa de fuga do adversário, derrotado na eleição de domingo, 25, para os Estados Unidos.
Flávio não entregou os passaportes, como havia determinado o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Na terça, colegas do político disseram ter recebido informações de que ele deixaria o país. Mais cedo, a PF abriu a investigação sobre o episódio.
Ao comentar o caso, Lula afirmou: “O cidadão que sai escondido do seu país é porque deve alguma coisa ou tem medo de alguma coisa”.
O presidente também se dirigiu ao derrotado: “E não vá dizer lá fora que o Brasil não tem democracia. Se não tivesse democracia, um miliciano não poderia ser candidato à Presidência”.
Lula encerrou essa parte da fala com uma crítica: “Lamento a falta de respeito que ele teve com eleitores dele e com a democracia”.
Referência à prisão
O petista citou a própria experiência na Operação Lava-Jato. Segundo ele, houve oferta de abrigo em embaixada: “Eu fico imaginando a culpa, a confiança do cidadão que perde eleição e foge do seu país. Quando fui acusado, tive muito convite para sair do Brasil e ir para embaixada”.
Lula disse ter escolhido outro caminho: “Resolvi ficar no Brasil e me entreguei à PF porque queria desmascarar meus acusadores e provar minha inocência. E estou aqui para o quarto mandado. Quem não deve não teme”, afirmou.
Inquéritos no Supremo
Flávio é investigado em dois inquéritos que tramitam no STF. Em um deles, é suspeito de lavagem de dinheiro por meio de plataformas de apostas, ao lado do advogado Willer Tomaz.
O outro apura o financiamento de Dark Horse, filme sobre a trajetória do pai de Flávio. Em ambos os casos, o político figura como investigado.
Aniversário e novo mandato
Lula falou a apoiadores diante do Palácio da Alvorada, em ato organizado pela militância para marcar seus 81 anos. Havia uma mesa com bolo.
Durante o dia, o presidente despachou no local e recebeu os ministros Jorge Múcio (Defesa) e Fernanda Machiaveli (Desenvolvimento Agrário), além dos ex-ministros Fernando Haddad, Rui Costa e Camilo Santana.
Ele será o presidente mais velho a iniciar um período de governo no país. O recorde anterior também é dele: em 2023, tomou posse aos 77 anos.
No discurso da vitória, em São Paulo, Lula prometeu mudanças na condução do governo e disse ser necessário reforçar o contato direto com a população, sobretudo nas plataformas digitais.
O deputado André Janones (Rede-MG) criou, na reta final da campanha, o grupo de WhatsApp “Exército do Lula” para atuar na disputa nas redes. O presidente já havia indicado que pretende ampliar a participação social no governo.
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Comentários (1)
Marian
27.10.2026 19:43Pós eleição e vemos vários membros do governo ainda fomentando a discórdia. Não temos paz.