Tarcísio reestrutura setor anticorrupção da Polícia Civil
Reestruturação acontece após denúncias e operação que prendeu nove suspeitos de esquema com propinas milionárias
O governo do estado de São Paulo reorganizou o órgão responsável por detectar e apurar irregularidades nas forças policiais paulistas. A medida foi publicada no Diário Oficial do Estado nesta segunda-feira, 16.
Nove servidores foram nomeados para a Unidade de Gestão de Integridade (UGI), vinculada à Secretaria de Segurança Pública (SSP). A decisão ocorre na esteira da Operação Bazaar, que expôs um esquema de corrupção com ramificações dentro da Polícia Civil.
Novo desenho institucional
A UGI passa a contar com quatro delegados, três capitães da Polícia Militar e dois peritos criminais. O grupo terá a atribuição de elaborar, implementar, revisar e executar o programa de integridade da SSP, além de propor protocolos, normas internas, treinamentos e orientações sempre que forem identificados riscos de práticas ilícitas nas polícias Civil, Militar e Técnico-Científica.
A reestruturação foi conduzida pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e pelo secretário de Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves. O escopo do trabalho da unidade abrange as três corporações policiais do estado e se inicia, em geral, após o mapeamento de vulnerabilidades institucionais que possam favorecer condutas criminosas.
O pano de fundo: a Operação Bazaar
A remodelação do setor veio poucos dias após o desencadeamento da Operação Bazaar, ação conjunta do Ministério Público, da Polícia Federal e da Corregedoria Geral da Polícia Civil. A operação resultou na detenção de nove pessoas investigadas por corrupção sistemática e lavagem de dinheiro.
De acordo com as investigações, o esquema utilizava cartões de refeição e alimentação como forma de dissimular o pagamento de propinas. Os valores eram posteriormente convertidos em dinheiro por meio de empresas de fachada, com o objetivo de ocultar a origem dos recursos.
Entre os apontados como operadores financeiros do esquema estão os doleiros Leonardo Meirelles e Meire Poza, ambos com passagem pela Operação Lava Jato. A rede envolveria ainda quatro policiais civis — dois investigadores, um delegado e um escrivão — além de um advogado. Segundo o Ministério Público, esses agentes públicos teriam agido para bloquear fiscalizações e encerrar apurações mediante pagamento.
Um dos episódios citados pela Promotoria aponta que policiais chegaram a exigir R$ 5 milhões para interromper o andamento de um inquérito. Conversas e registros de áudio obtidos pelos investigadores revelam negociações de grande monta entre os envolvidos.
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