Tarcísio ignora Eduardo e articula contra tarifaço
Governador mantém agenda com diplomata dos EUA e empresários apesar de pressão para subordinar negociações à pauta bolsonarista
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, recebe nesta terça, 15, no Palácio dos Bandeirantes, o encarregado de negócios da embaixada dos Estados Unidos, Gabriel Escobar, e pelo menos 15 empresários de setores diretamente afetados pelo tarifaço de 50% imposto pelo governo Donald Trump.
A medida, prevista para entrar em vigor em 1º de agosto, pode provocar perdas superiores a R$ 4,4 bilhões ao PIB paulista.
Ao manter a agenda, Tarcísio desconsidera o apelo e as críticas do deputado licenciado Eduardo Bolsonaro. Ele que afirmou publicamente que a negociação com os americanos deveria ocorrer exclusivamente por seus “canais”.
O filho do ex-presidente Bolsonaro classificou como um “desrespeito” a iniciativa do governador e alegou que qualquer interlocução fora de sua alçada seria “brecada”.
Mesmo após o recado, Tarcísio seguiu com os encontros.
Na sexta, 11, já havia se reunido com Escobar em Brasília.
Agora, recebe o diplomata e o setor produtivo paulista em São Paulo, num gesto que reflete sua decisão de preservar os interesses econômicos do estado sem se envolver na estratégia bolsonarista de usar o tarifaço como ferramenta de pressão por anistia.
Nos bastidores, aliados de Tarcísio avaliam que a postura do governador reflete uma escolha clara: evitar que a economia paulista seja usada como moeda de troca numa disputa particular da família Bolsonaro.
O governador tem moderado o discurso desde que atribuiu inicialmente a responsabilidade da crise ao presidente Lula.
Nas últimas falas públicas, tem defendido união entre os governos estadual e federal para mitigar os danos à indústria e ao agronegócio.
São Paulo lidera as exportações brasileiras para os EUA, com US$ 6,4 bilhões no primeiro semestre, e pode ser o estado mais prejudicado em valores absolutos.
Entre os setores mais atingidos estão a indústria aeronáutica, com risco de perda de contratos da Embraer, além do agronegócio e da siderurgia.
A manutenção da agenda pelo governador evidencia uma ruptura silenciosa dentro do campo bolsonarista.
Enquanto Eduardo insiste em manter a pressão pela anistia como pré-condição para qualquer recuo tarifário, Tarcísio opta por cumprir seu papel institucional como chefe do Executivo estadual, sem endossar a escalada que marcou as declarações do deputado licenciado.
O gesto tem repercussões políticas evidentes.
Ao se concentrar na economia e adotar uma conduta pragmática, Tarcísio sinaliza que poderá não submeter sua gestão aos interesses particulares da família Bolsonaro.
Em meio a especulações sobre 2026, o movimento reforça sua tentativa de se apresentar como alternativa viável da direita fora do eixo extremista.
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Comentários (6)
FRANCISCO JUNIOR
15.07.2025 23:20Tarcísio, fique longe desse câncer que é o bolsonarismo.
Ita
15.07.2025 15:42Precisamos que o Governador de S. Paulo e outros expoentes da DIREITA se afastem da influência dos "malucos" - políticos bolsonaristas - para que possamos eleger alguém com capacidade técnica e politica a fim de colocar o país nos trilhos.
Alexandre Ataliba Do Couto Resende
15.07.2025 12:19Corretamente está usando do silêncio e canais diplomáticos para amenizar a crise. Quanto ao deputado também está Corretamente usando do método Activia + Jhonnie Walker com ele.
MARCEL SILVIO HIRSCH
15.07.2025 11:31Meus parabéns a Tarcisio. Maturidade é afastar-se dos dementes.
Magdalena Buzolin
15.07.2025 09:12Acho a atitude de Tarcisio sensata ao defender os interesses do estado que governa.
Luis Eduardo Rezende Caracik
15.07.2025 09:05Tenha brios Tarcísio! Se ficar nesta de manter um pé em cada bote, de contemporizar e não tomar posições claras, ficará com a marca do "B" estampada na testa e não se qualificará para ser presidente e fazer o que é certo e necessário ao Brasil.