Tarcísio defende polícia após críticas de bolsonaristas
Governador recusa pressão de aliados e mantém distância de investigação que mira contrato milionário da Prefeitura de São Paulo
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), disse nesta terça-feira, 2, que não cabe ao Executivo estadual interferir em operações policiais, respondendo indiretamente às críticas feitas por aliados políticos à Polícia Civil após uma ação que atingiu a produtora do filme Darke Horse, sobre Jair Bolsonaro.
A declaração foi dada em Rio Claro, no interior paulista, um dia depois de a Operação Wi-Fi cumprir mandados de busca e apreensão em endereços ligados à Go Up Entertainment e ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), ambos da empresária Karina Gama.
De acordo a Folha, bolsonaristas chegaram a telefonar diretamente a Tarcísio para reclamar da ação. Ainda assim, o governador manteve a posição de que a corporação agiu dentro de suas atribuições: “Havia uma investigação em curso, uma demanda do Ministério Público, e a polícia cumpriu essa demanda”, afirmou. “A polícia vai ser e sempre será uma instituição de Estado, está a serviço do Estado”, acrescentou.
A operação e o contrato investigado
A ação policial apura suspeitas de superfaturamento e desvio em um contrato de R$ 108 milhões firmado em 2024, entre o ICB e a Prefeitura de São Paulo. para instalação de pontos de wi-fi gratuito em comunidades da capital. A investigação, que cumpriu oito mandados, alcançou também a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia.
O inquérito apura se parte dos recursos públicos teria sido redirecionada à produção de Dark Horse, cinebiografia de Bolsonaro. A Polícia Civil informou ao Judiciário que ofícios enviados à prefeitura solicitando informações não foram respondidos — argumento usado para justificar a necessidade da busca e apreensão.
Reações e pressão política
O prefeito Ricardo Nunes (MDB) classificou a ação como possível “perseguição política” e afirmou não ver justificativa para buscas na prefeitura, já que, segundo ele, os documentos apreendidos seriam públicos.
O senador Flávio Bolsonaro (PL) foi além e sugeriu que “parte” da Polícia Civil poderia estar sendo utilizada “para fins eleitoreiros”, colocando em dúvida a motivação da operação.
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