Tabata pede a MPF que investigue Vorcaro por tráfico de mulheres
Deputada aponta indícios de exploração sexual e uso de estrangeiras como instrumento de influência sobre autoridades
Uma notícia-crime protocolada no Ministério Público Federal pela deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP) pede a abertura de investigação sobre festas promovidas pelo banqueiro Daniel Vorcaro, associadas ao escândalo do Banco Master.
O documento apresentado nesta sexta-feira, 1º de maio, aponta possíveis crimes de tráfico internacional de pessoas para fins de exploração sexual e favorecimento à prostituição, entre outras infrações. A assessoria de Vorcaro não se pronunciou sobre o caso.
Logística internacional e câmeras ocultas
Segundo registros apreendidos pela Polícia Federal no âmbito das investigações do caso Master, os eventos organizados por Vorcaro envolviam transporte de modelos de países como Rússia, Ucrânia, Lituânia, Holanda, México e Venezuela. Os documentos incluem orçamentos com passagens aéreas e transfers em cidades como Verona (Itália), Barcelona (Espanha) e Santa Bárbara (EUA).
Uma festa de Halloween realizada em outubro de 2023 exemplifica a escala da operação. Há ainda registro de uma passagem de ônibus de Kiev, capital da Ucrânia, para Varsóvia, na Polônia — o que indica que ao menos um dos participantes cruzou território em conflito para comparecer ao evento.
Em outubro de 2022, o banqueiro financiou a presença de mulheres estrangeiras em seu aniversário, realizado em uma mansão em Trancoso, no litoral baiano.
Os eventos passaram a ser chamados de “Cine Trancoso” após relatos de que o anfitrião mantinha um sistema de câmeras instalado para gravar os encontros. A PF teria apreendido vídeos íntimos, imagens de passaportes e outros registros relacionados às festas.
Autoridades e possível uso de mulheres como moeda política
A notícia-crime sustenta que os eventos não se enquadram como reuniões sociais privadas comuns. “Relata-se que tais eventos eram organizados de forma estruturada e recorrente, com características que ultrapassam encontros sociais privados, apresentando indícios de instrumentalização de mulheres como meio de favorecimento e influência junto a autoridades públicas”, afirma o documento.
Em comunicado, Tabata declarou: “Não estamos falando de episódios isolados, mas de indícios de uma estrutura que pode ter transformado o corpo de mulheres em moeda de troca para acesso e influência. Isso exige uma investigação rigorosa, com olhar especializado em violência de gênero, para garantir que nenhuma vítima seja silenciada e que todos os responsáveis sejam devidamente responsabilizados”.
Em janeiro, o Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União já havia solicitado a abertura de processo para identificar autoridades federais dos três Poderes que participaram das festas. A nova notícia-crime amplia o escopo, com foco na situação das mulheres envolvidas.
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