Sucesso da Bienal do Livro anima (ou ilude?) mercado livreiro
Puxados por gêneros e jovens leitores, números são um alento em um setor tradicionalmente em crise
Editores e livreiros estão entusiasmados com o sucesso da Bienal do Livro Rio 2025. O evento, que começou no dia 13 de junho e se estende até o dia 22, no Riocentro, na Zona Oeste do Rio, registrou ingressos esgotados e corredores lotados nos primeiros dias, consolidando sua posição como um dos maiores marcos literários do país. Segundo Talita Duvanel, essa edição trouxe um “otimismo” generalizado ao setor, com editoras reportando crescimentos significativos nas vendas.
Recordes e gêneros em alta
O sucesso da Bienal de 2025 é traduzido em números expressivos. Editoras como a Globo Livros registraram um aumento de 50% no faturamento em comparação com a edição de 2023, impulsionado por obras de “romantasia” como “Assistente do vilão” e “Aprendiz do vilão”. A Rocco também comemora um crescimento de 42% em relação a 2023, necessitando de remessas extras para suprir a demanda, com as obras de Clarice Lispector figurando entre os best-sellers. A HarperCollins viu seu faturamento subir 50% graças à popularidade dos livros de colorir e de autores como Bobbie Goods. A Intrínseca alcançou um aumento de 63% nas vendas, destacando o sucesso da autora americana Lynn Painter, que atraiu multidões para sessões de autógrafos.
A força do público jovem é inegável, dominando o evento e impulsionando as vendas de literatura “young adult”, comédias românticas e suspenses. Autores como Maidy Lacerda, da série “O diário de uma princesa desastrada”, mobilizaram grandes públicos, reforçando a conexão da Bienal com os jovens leitores. Editoras adotaram estratégias como lançamentos exclusivos, brindes e estandes interativos para engajar essa audiência.
Resta saber o quanto desse interesse permanecerá com o fim do evento, bem como sua capacidade de imantar o setor como um todo, para além de gêneros específicos e público-alvo determinado.
A história da Bienal
Completando 42 anos em 2025, e celebrando sua 20ª edição, a Bienal tem uma história que começou em 1983, no Copacabana Palace, como uma feira organizada pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL).
Ao longo de quatro décadas, o evento espelhou e acompanhou as transformações sociais, culturais e políticas do Brasil, desde o fim do governo militar até o surgimento do e-book. Momentos marcantes, como a visita de José Saramago, após o Prêmio Nobel, e a reação social contra a censura, consolidaram a Bienal como um patrimônio cultural para o Rio de Janeiro.
A Bienal de 2025 reforça seu status como uma celebração única e um dos maiores eventos literários do mundo, com a presença de mais de 300 convidados nacionais e internacionais, 200 horas de conteúdo e 500 marcas.
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