STJ condena ex-governador do Acre a 25 anos de prisão por corrupção e lavagem
Gladson Cameli também ficará inelegível por oito anos
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) condenou o ex-governador do Acre Gladson Cameli (PP) a 25 anos e 9 meses de prisão pelos crimes de lavagem de dinheiro, organização criminosa, peculato e dispensa indevida de licitação
O político acreano havia renunciado em abril para concorrer a uma vaga ao Senado. Com a decisão do STJ, Cameli fica inelegível por oito anos.
O julgamento se encerrou com oito votos pela condenação a a 25 anos e 9 meses de prisão. Outros três ministros acompanharam o revisor João Otávio de Noronha e fixaram pena de 16 anos, em divergência sobre a dosimetria.
Operação Ptolomeu
Em 2023, Cameli já foi alvo de uma operação da Polícia Federal no âmbito da chamada Operação Ptolomeu para investigar um suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e desvios de recursos públicos envolvendo a cúpula do governo estadual.
A Procuradoria-Geral da República (PGR), em denúncia aceita pelo STJ, afirmou que a empresa Murano Construções e companhias subcontratadas – uma das quais tem como sócio Gledson Cameli, irmão do governador – teriam pagado propina ao governador por meio de pagamento de parcelas de um apartamento em bairro nobre de São Paulo.
Os investigadores identificaram que, um dia após a assinatura do contrato, a Murano fechou uma parceria com a Rio Negro, administrada por Gledson Cameli, irmão do governador, que teria recebido quase R$ 2 milhões.
Em maio de 2024 o STJ aceitou a denúncia.
As supostas práticas teriam causado um prejuízo de quase R$ 11,7 milhões aos cofres públicos.
Gilmar suspende julgamento
Em novembro do ano passado, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu o julgamento do governador do Acre, que ocorreria na mesma semana no STJ.
Na decisão, Gilmar ordenou que a Polícia Federal (PF) e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apresentem os formulários utilizados para a emissão dos relatórios que embasaram a investigação contra Cameli.
O decano do STF atendeu ao pedido da defesa de Cameli, que afirmou ao Supremo não ter conseguido acesso aos formulários, o que prejudicaria o direito da defesa.
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