SP: Protesto reage a operação contra PCC
Ministério Público prendeu nove suspeitos de tráfico; ato fechou vias no centro e foi dispersado pela PM
Moradores da Favela do Moinho, no centro de São Paulo, protestaram na quarta, 10, contra a prisão de nove pessoas acusadas de ligação com o tráfico.
O ato bloqueou avenidas da região central e terminou em confronto com a Polícia Militar, que usou bombas de efeito moral para dispersar a multidão. Lideranças comunitárias dizem que houve criminalização da comunidade, enquanto autoridades afirmam que a ação cumpre decisão judicial.
As prisões ocorreram durante a Operação Sharpe, deflagrada na segunda, 8, pelo Ministério Público de São Paulo.
A investigação tem como alvo integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) que, segundo as autoridades, utilizavam a favela como base para tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e extorsão. Foram cumpridos dez mandados de prisão preventiva e 21 de busca e apreensão.
Entre os detidos está Alessandra Moja, irmã de Leonardo Moja, conhecido como “Leo do Moinho”, preso em 2024 como chefe do tráfico local.
De acordo com o Ministério Público, a ofensiva integra uma estratégia de desarticulação das finanças e da liderança do PCC no centro de São Paulo.
A investigação também aponta o envolvimento de comerciantes da região no fornecimento de apoio logístico para as atividades do grupo. O governo estadual sustenta que a operação visa reduzir a influência da facção criminosa e enfraquecer suas rotas de distribuição de drogas.
No protesto, moradores contestaram as acusações e denunciaram abusos durante as prisões. Lideranças comunitárias afirmaram que as detenções são “retaliação” e acusaram policiais de terem forjado flagrantes.
O confronto com a Polícia Militar deixou feridos, inclusive entre crianças, segundo relatos da comunidade. Até o fechamento deste texto, não havia registro oficial de novas prisões ligadas à manifestação.
A Favela do Moinho é alvo de disputa desde que governo federal e governo estadual anunciaram, em junho, um acordo para reassentar cerca de 900 famílias e construir no local o Parque do Moinho. O plano prevê subsídios de até R$ 250 mil por família para a compra de imóveis, além de auxílio-aluguel.
Mais de 500 famílias já deixaram a área, mas cerca de 250 permanecem no local.
A prefeitura e o governo de São Paulo afirmam que a desocupação busca melhorar a região e combater o crime organizado.
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