SP: “Prédio da Baleia” negocia com prefeitura área pública na Faria Lima
Subsede do edifício B32 tenta formalizar uso cultural de rua desativada
A incorporadora Faria Lima Prime Properties, responsável pelo edifício B32, conhecido como “Prédio da Baleia” por abrigar uma escultura metálica na entrada em forma de baleia, negocia com a prefeitura de São Paulo a compra de um trecho da Alameda das Artes, no bairro Itaim Bibi, zona sul da cidade.
A proposta envolve o pagamento de cerca de R$ 6 milhões por uma área de 380 metros quadrados que hoje pertence ao município.
O edifício B32 ocupa parte da área e já utiliza o espaço como extensão de uso cultural e de circulação pública.
A alameda foi inicialmente doada para abrir uma via, mas esse projeto foi cancelado por lei.
Com isso, a empresa passou a pleitear a compra da parcela pública remanescente, sob a alegação de que pretende garantir a permanência do uso como espaço de arte urbana, eventos gratuitos e tráfego de pedestres.
Segundo a consultora imobiliária Adriana Batista, da FLPP, o terreno não possui potencial construtivo e não poderá abrigar edificações.
O coeficiente de aproveitamento já foi transferido integralmente para o edifício B32, o que inviabiliza qualquer verticalização da área.
A proposta depende de aprovação pela Câmara Municipal e sanção do prefeito Ricardo Nunes, do MDB. Em nota, a gestão municipal confirmou que o processo está em fase inicial de análise e será submetido à verificação do interesse público.
A Procuradoria Geral do Município já emitiu parecer favorável, e a Comissão do Patrimônio Público Urbano validou o pedido, citando a inexistência de impacto negativo à mobilidade de pedestres.
Além da negociação com a FLPP, a prefeitura também avalia a venda da travessa Engenheiro Antônio de Souza Barros Júnior, nos Jardins, entre a rua Pamplona e a alameda Lorena.
A área de 647 metros quadrados foi avaliada em R$ 16 milhões e deve ser incorporada a um condomínio de alto padrão com acesso exclusivo aos futuros moradores.
O projeto, encaminhado pelo Executivo, foi aprovado em primeira votação com 34 votos favoráveis e segue para nova deliberação.
Especialistas alertam para riscos jurídicos nas duas operações, especialmente no caso dos Jardins, onde a desafetação da rua pode contrariar a função social do espaço urbano.
A ausência de audiências públicas também é apontada como fator que pode gerar contestação judicial.
A prefeitura alega que ambas as áreas são de baixa circulação e que a alienação atende à gestão eficiente de ativos públicos.
No caso da Alameda das Artes, a Faria Lima Prime Properties afirma que o espaço continuará aberto à população e destinado a atividades culturais gratuitas, formalizando o uso já praticado no local.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)