SP: Polícia prende 14 por roubo de mais de 60 motos de luxo
Operação Orbis Clausus cumpre 39 mandados; peças eram vendidas na internet
A Polícia Civil prendeu nesta quinta, 11, 14 integrantes de uma quadrilha suspeita de roubar mais de 60 motocicletas de alto valor em São Paulo.
A ação, batizada de Orbis Clausus, foi coordenada pela 4ª Delegacia da Divisão de Investigações sobre Furtos e Roubos de Veículos (Divecar) do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). Segundo a investigação, as peças das motos eram desmontadas e comercializadas ilegalmente pela internet.
De acordo com o Deic, a operação mobilizou mais de 100 policiais civis em 50 equipes para cumprir 39 mandados judiciais em endereços nas zonas Central e Leste da capital e em cidades da Grande São Paulo. As diligências ocorreram em Francisco Morato, Itaquaquecetuba e Cajamar. As apurações duraram quatro meses e miraram alvos apontados como responsáveis pelo planejamento, execução e escoamento dos bens roubados.
Os investigadores descrevem uma estrutura criminosa dividida em dois núcleos. O primeiro, voltado aos roubos, atuava com uso de armas de fogo e contava com executores, olheiros, receptadores e fornecedores de armamento.
O segundo núcleo, segundo a polícia, operava fraudes tecnológicas ligadas ao sistema de transporte público, com clonagem e falsificação de bilhetes e manipulação de cartões eletrônicos, além de movimentar valores em contas de terceiros.
Ainda conforme a Polícia Civil, após os roubos as motocicletas eram rapidamente desmanchadas para reduzir o risco de rastreamento.
Componentes de maior valor, como carenagens, rodas e sistemas eletrônicos, eram anunciados em plataformas de comércio digital, sem procedência, para dificultar o trabalho de identificação e rastreio. As vendas abasteciam um mercado paralelo de peças, com logística própria de coleta e entrega.
A investigação reuniu imagens e registros que, segundo os agentes, evidenciam a atuação do grupo. Em um dos vídeos analisados, um suspeito aparece pilotando uma moto branca e se gaba de ser assaltante de veículos de luxo. O material foi anexado aos autos para subsidiar os pedidos de prisão e buscas deferidos pela Justiça.
No total, 20 pessoas foram identificadas como alvos principais. A Polícia Civil informou que 11 foram presas nesta quinta, 1 já estava detido no sistema prisional e 2 morreram em confronto com forças de segurança durante a fase de investigação, enquanto praticavam roubos. Outros 6 investigados seguem foragidos e são procurados pelas equipes da Divecar.
O nome da operação, Orbis Clausus — expressão em latim que significa “mundo fechado” —, remete ao circuito clandestino que, segundo a polícia, a quadrilha criou para furtar, desmanchar e revender componentes, além de lavar o dinheiro obtido com os crimes.
As apreensões realizadas nesta etapa incluem celulares, mídias, anotações e possíveis ferramentas de desbloqueio e adulteração, que serão periciadas.
A Polícia Civil afirma que a prioridade agora é localizar os foragidos e rastrear a cadeia financeira dos delitos, com pedidos de quebras de sigilo já encaminhados ao Judiciário.
Segundo o Deic, novas fases não estão descartadas, inclusive para chegar a compradores recorrentes e eventuais financiadores do esquema, a partir da análise dos dados coletados nesta quinta.
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