SP investiga 91 casos de intoxicação por metanol
Capital paulista concentra a maior parte das notificações: 48 investigações e 8 casos confirmados
A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo informou nesta sexta-feira, 3, que o número de ocorrências ligadas ao consumo de bebidas adulteradas com metanol chegou a 102. Desses, 11 casos já foram comprovados por exames laboratoriais. Outros 91 estão em análise. Há ainda uma morte confirmada na capital e outras oito em investigação em diferentes cidades do estado.
A capital paulista concentra a maior parte das notificações: 48 investigações e 8 casos confirmados. São Bernardo do Campo aparece em seguida, com 21 casos em apuração e um confirmado. Também há registros em Santo André, Osasco, Guarulhos, Itapecerica da Serra e outras cidades.
Segundo a secretaria, até agora nove mortes foram notificadas, sendo cinco na capital, duas em São Bernardo do Campo e uma em Cajuru, no interior. Apenas uma delas foi confirmada como consequência direta da ingestão de bebida adulterada.
Primeira morte confirmada
Ricardo Lopes Mira, de 54 anos, foi a primeira morte confirmada desta nova onda de intoxicações por metanol no país.
Morador de São Paulo, ele passou mal em 12 de setembro e morreu quatro dias depois. Internado no Hospital Villa Lobos, na Zona Leste, apresentou rigidez de nuca, dispneia e edema cerebral. Segundo a Polícia Civil, Ricardo era alcoolista.
Em nota, a Rede D’Or, responsável pelo hospital, informou que “tem por política não divulgar nenhuma informação sem autorização do paciente ou familiares”.
Ações emergenciais do governo
Diante do avanço dos casos, o governo de São Paulo anunciou a compra imediata de 2.000 ampolas de álcool etílico absoluto, indicado no tratamento de pacientes intoxicados.
O estoque já existente de 500 unidades foi mantido para assegurar a reserva estratégica.
O material será distribuído aos hospitais de referência, como o Hospital das Clínicas de Campinas, Ribeirão Preto e São Paulo. Além disso, o estado reforçou a rede laboratorial para agilizar os diagnósticos. Amostras de sangue e urina coletadas em casos suspeitos serão processadas em até uma hora no Laboratório de Toxicologia Analítica Forense da USP de Ribeirão Preto, usando cromatografia gasosa.
O Instituto Adolfo Lutz coordena a logística de transporte dessas amostras. Antes da atual onda, a média anual de intoxicações por metanol em todo o país girava em torno de 20, segundo o Ministério da Saúde.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)