SP: Explosão em depósito de fogos mata morador e devasta quarteirões no Tatuapé
Onda de choque atinge três quarteirões, fere dez pessoas e força Defesa Civil a interditar 21 imóveis
A explosão em um imóvel usado como depósito de fogos de artifício matou um morador e feriu dez pessoas na noite de quinta, 13, na esquina da avenida Celso Garcia com a avenida Salim Farah Maluf, no Tatuapé, Zona Leste de São Paulo.
A detonação ocorreu por volta das 19h45, de acordo com o Corpo de Bombeiros, e gerou uma onda de choque tão forte que destruiu casas, quebrou janelas em prédios e obrigou a Defesa Civil a interditar 21 imóveis na madrugada de sexta, 14, por risco de colapso estrutural.
A vítima fatal ainda não teve o nome divulgado pela Polícia Militar até a manhã desta sexta. O corpo foi arremessado para o quintal de uma casa vizinha e localizado por cães farejadores.
Os bombeiros confirmaram que o homem morava no imóvel que armazenava o material explosivo. Entre os dez feridos, quatro tiveram lesões graves e foram encaminhados a hospitais da região, enquanto outros seis sofreram ferimentos leves e dispensaram atendimento prolongado.
Moradores descrevem uma cena de destruição súbita. Vidros estilhaçados cobriram calçadas e carros foram amassados pela pressão da explosão. Estruturas metálicas se retorceram com o impacto. Fotos e vídeos feitos por vizinhos mostram uma coluna de fogo subindo rapidamente e formando uma imagem semelhante a uma “nuvem cogumelo”.
Um morador de um prédio próximo relatou que tudo sacudiu dentro de casa e que objetos caíram das estantes. Uma moradora disse à TV que “a janela voou, a cortina caiu e um pó terrível tomou o quarto”.
O Corpo de Bombeiros deslocou oito viaturas e informou que atuou com cautela para evitar novas explosões. Um oficial afirmou que o imóvel funcionava como depósito de fogos de artifício e que o caso será aprofundado pela Polícia Civil.
Segundo o agente, foram encontradas evidências de artefatos usados em balões, e a corporação repassou essas informações aos investigadores. A Polícia Civil apura se o depósito operava de forma clandestina e se a queda de um balão sobre o material pirotécnico pode ter provocado a detonação. O proprietário já se apresentou, mas a causa exata ainda depende de laudos técnicos.
A legislação brasileira exige licença da Defesa Civil, fiscalização dos bombeiros e registro no Ministério do Exército para armazenar e comercializar fogos de artifício. Normas técnicas, como a NR 19 e regras estaduais, determinam limites de estocagem e padrões de segurança para evitar incêndios e explosões.
Em estabelecimentos varejistas, o teto de armazenamento costuma ser de 1.000 quilos de massa pirotécnica, segundo parâmetros citados por órgãos de fiscalização.
Soltar balões é crime ambiental desde 1998 e prevê pena de detenção de um a três anos, multa ou ambas, porque representa risco direto à vida e ao patrimônio. Órgãos ambientais e o governo de São Paulo registram aumento nas autuações por manuseio de balões, o que pressiona mais os serviços de emergência.
Técnicos da Defesa Civil seguem na região para avaliar se alguns imóveis poderão ser liberados ou se terão de ser parcialmente demolidos.
Moradores desalojados foram encaminhados para casas de familiares, enquanto a polícia tenta reconstituir, minuto a minuto, como um depósito em área residencial se transformou em um epicentro de destruição.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)