SP atinge marca de 61% de crianças alfabetizadas no 2º ano
Estado supera meta federal de leitura e projeta avançar a 90% até o fim do ano
O estado de São Paulo registrou, em 2025, um índice de 61% de alunos leitores no 2º ano do ensino fundamental, quase360 mil crianças. O resultado, comunicado pelo Ministério da Educação (MEC) aos estados nesta semana, coloca São Paulo como a unidade federativa com o maior número absoluto de estudantes alfabetizados nessa faixa etária no país.
O percentual representa avanço sobre o resultado de 2024, quando a rede estadual havia registrado 58% de leitores no mesmo segmento, índice que já superava a meta nacional estabelecida pelo governo federal. Com o desempenho do ano anterior, o estado recebeu, no dia 23 de março de 2025, o “Selo Ouro” em cerimônia promovida pelo MEC — premiação vinculada ao programa Criança Alfabetizada.
Investimento e programa estadual
A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) destinou R$ 500 milhões para ações de alfabetização em 2025, montante superior aos R$ 300 milhões aplicados no ciclo anterior. O aporte financia o programa Alfabetiza Juntos SP, que articula iniciativas da rede estadual com prefeituras paulistas.
Entre as ações do programa, o Currículo Paulista foi adotado por 572 municípios. A plataforma de leitura Elefante Letrado opera em 436 cidades do estado. Já a formação de professores e gestores municipais abrange 636 municípios, com 61,9 mil docentes e 8,3 mil gestores capacitados, além dos profissionais da rede estadual. A plataforma Matific, voltada ao aprendizado de matemática, está disponível para 275 municípios.
A Seduc-SP projeta alcançar, até o fim de 2025, o índice de 90% de crianças leitoras — entre iniciantes e fluentes — na idade considerada adequada. A meta está vinculada à obtenção do “Selo Ouro” no próximo ciclo de avaliação do programa federal, previsto para 2027.
Reconhecimento internacional
O Alfabetiza Juntos SP foi validado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) em dezembro de 2024. A entidade reconheceu o programa por atender aos critérios do modelo CARE-KNOW-DO, desenvolvido pela pesquisadora Alexandra Okada, da Open University, no Reino Unido, no âmbito da iniciativa europeia CONNECT.
O modelo é estruturado em três pilares: comprometimento com a aprendizagem de todas as crianças (CARE); uso de estratégias baseadas em evidências para orientar o trabalho das escolas (KNOW); e estímulo para que os alunos apliquem o que aprendem em situações do cotidiano (DO).
A Unesco enquadrou o programa como contribuição para o avanço do ODS 4 — Objetivo de Desenvolvimento Sustentável da ONU que trata de educação de qualidade e aprendizagem ao longo da vida.
A adesão ao referencial internacional ocorre no contexto de uma política que, segundo o próprio governo estadual, conecta alfabetização à capacidade dos estudantes de compreender e intervir na realidade de suas comunidades.
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