“Sou muito seguro da minha sexualidade”, diz Zema
Ex-governador de Minas critica comparação feita pelo ministro do STF, mas diz que não irá à Justiça
O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) respondeu ao ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, que havia comparado uma animação satírica feita por Zema sobre a Corte a uma eventual representação do político como “homossexual”.
Zema afirmou ser “seguro da sexualidade” e afirmou não ser correto, por parte de Gilmar, “comparar homossexual com ladrão”
“Já viu homem de bem ser bandido assumido? Eu gostaria de dizer pro ministro Gilmar que ele pode fazer o bonequinho que for meu. Pode fazer boneco do Zema homossexual, porque eu sou muito seguro da minha sexualidade; eu não tenho preconceito nenhum e eu sei que não sou gay pra um boneco me ofender. Pode até fazer boneco de Zema roubando dinheiro, porque eu sei que eu nunca roubei nada na minha vida e não vai ser um boneco que vai me ofender. Só não acho correto o ministro comparar homossexual com ladrão e dizer que é tudo ofensivo“, disse ao Metrópoles.
Apesar dos comentários, Zema descartou processar Gilmar Mendes por “xenofobia”.
“Na qualidade de político e, especialmente, de democrata, eu jamais acionaria, na Justiça, qualquer pessoa pelo fato de ter me criticado. A liberdade de expressão, em uma democracia de verdade, dá a qualquer pessoa o direito de criticar e expressar a sua indignação contra qualquer homem público, seja ele agente público ou político. Eu sou um agente político. Eu sou um democrata. Meu dever é aguentar qualquer tipo de crítica, inclusive essa que tira sarro do meu sotaque, do qual muito me orgulho.”
As entrevistas de Gilmar
Gilmar criticou a animação satírica feita pelo ex-governador Romeu Zema (Novo) sobre o STF e comparou os efeitos dela a uma eventual sátira feita sobre o político mineiro em que o representaria como “homossexual”.
“De fato nós rimos, achamos engraçados. Agora, se começamos a fazer piadas com coisas sérias, com as instituições… Imagine que nós comecemos a fazer bonecos do Zema como homossexual. Será que não é ofensivo? O se fizermos ele roubando dinheiro no estado, será que não é ofensivo? É é correto brincar com isso? Homens públicos podem fazer isso. Só essa questão. É só isso. É isso que precisa ser avaliado”, disse ao Metrópoles.
Em outra entrevista, o ministro disse que Zema fala uma “língua próxima do português”.
O estopim do confronto
A disputa teve origem em um vídeo divulgado por Zema no mês passado — e republicado na segunda-feira, 20, após a coluna Mônica Bergamo noticiar o pedido de Gilmar — em que bonecos caricatos imitam o próprio Gilmar Mendes e o ministro Dias Toffoli conversando sobre o caso Master.
Para Zema, enquadrar o conteúdo como desinformação representa uma restrição à liberdade de expressão: “Nós estamos vendo um atentado à democracia. Não se pode mais fazer caricatura, ser irônico”.
“Isso não pode ser feito, pelo que eu sei, na Coreia do Norte, em Cuba, em alguns regimes totalmente autoritários. Parece que estamos correndo risco neste momento de caminharmos nesse sentido”, afirmou.
Os intocáveis
Gilmar pediu a inclusão de Zema no interminável inquérito das fake news por causa de uma animação satírica na qual o ministro Dias Toffoli pede ajuda ao decano do STF após a CPI do Crime Organizado aprovar a quebra de sigilo da empresa Maridt. Toffoli é sócio dessa empresa, que fez negócios com o Banco Master, de Daniel Vorcaro.
Em entrevista à TV Globo, o decano do STF disse que tem “a impressão de que o inquérito continua necessário”.
“E ele vai acabar quando terminar, é preciso que isso seja dito em alto e bom som. O tribunal tem sido vilipendiado. Veja, por exemplo, a coragem, eu diria, a covardia do relator da CPI do Crime Organizado de atacar a Corte, pedir indiciamento de pessoas, não cuidando de quem efetivamente cometeu crime. Isso pode ser deixado assim? Acho que não. É preciso que haja resposta. Eu acho que foi um momento importante de o Supremo ter aberto o inquérito e mantê-lo pelo menos até as eleições. Acho que é relevante”, disse Gilmar.
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