‘Sou de direita… mas não posso viver de lacração’, diz Celina Leão
Governadora do DF aposta no diálogo com o Planalto para viabilizar operação de crédito destinada a estabilizar o BRB
“Sou de direita, mas o diálogo é o que vai possibilitar benefício à população”, declarou a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), ao justificar o pedido de audiência ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, agendada para esta quinta-feira, 30.
A governadora tenta minimizar a deterioração da situação financeira do Banco de Brasília (BRB), que acumulou perdas após adquirir carteiras de crédito fraudadas do Banco Master. Para Celina Leão, interlocução institucional com o governo federal é condição para enfrentar a crise.
Crise bancária pressiona DF
O BRB vive uma situação delicada depois que a compra das carteiras do Master revelou irregularidades que comprometeram a solidez da instituição.
Em ofícios enviados na terça-feira, 28, à Presidência da República, ao Ministério da Fazenda e ao Tesouro Nacional, a governadora Celina Leão (PP) pede garantia da União para viabilizar um empréstimo de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), destinado à capitalização do banco.
A reunião com Lula foi solicitada com caráter de urgência por Leão, que vê no aval federal um passo indispensável para avançar com a capitalização da instituição.
Pragmatismo diante da polarização
Aliada da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e figura recorrente da oposição ao governo Lula, Celina Leão adotou um tom que destoa da retórica habitual de seu campo político. “Não posso viver de lacração política”, afirmou, em entrevista ao Correio Brasiliense.
A governadora também fez um diagnóstico sobre o ambiente político nacional: segundo ela, os brasileiros estão “desacostumados” com conversas entre representantes de campos opostos, porque “o Brasil polarizou demais”.
Ao defender sua postura, Leão invocou o conceito de atuação republicana: “Essa forma republicana é o que a população espera para que eu possa dar a resposta à altura dessa crise do BRB”.
A reunião de quinta-feira será um teste para a capacidade de interlocução entre dois atores que ocupam posições antagônicas no espectro político — mas que, por ora, compartilham a necessidade de encontrar uma saída para a crise do principal banco público da capital federal.
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