Sóstenes acusa Lula de agir por eleição e defende PEC alternativa à 6×1
Líder do PL na Câmara afirma que partido apoiará proposta no Senado, mas pretende priorizar texto de Rogério Marinho em 2027
O líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), acusou o presidente Lula (PT) de explorar eleitoralmente o debate sobre o fim da escala 6×1. Em coletiva de imprensa no Senado Federal, nesta quarta-feira, 14, o parlamentar afirmou que o partido votará a favor da proposta em discussão, mas pretende trabalhar, a partir de 2027, por um modelo alternativo de jornada de trabalho apresentado pelo senador Rogério Marinho (PL-RN).
Sóstenes rejeitou a avaliação de que o PL teria mudado de posição por causa da proximidade do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro. Segundo ele, a bancada já havia apoiado a proposta na Câmara e manterá o posicionamento no Senado.
“Na Câmara nós votamos a favor. No Senado nós vamos votar a favor. Desde quando nós fomos contrários?”, questionou.
O deputado afirmou, porém, que o texto defendido pelo partido é diferente da proposta em discussão no Congresso. Segundo ele, a PEC de Marinho busca permitir que o trabalhador escolha entre o regime tradicional da CLT e um modelo flexível, com remuneração proporcional às horas trabalhadas.
“A nossa PEC que nós queremos votar, em caso de os brasileiros confirmarem a eleição do presidente Flávio Bolsonaro no dia 25, para o próximo ano, é simples”, declarou.
Sóstenes disse que o trabalhador poderia optar por uma jornada semanal de 40 ou 44 horas no regime da CLT ou escolher trabalhar menos dias, com pagamento proporcional às horas cumpridas.
“O que nós queremos dar ao trabalhador é a liberdade de escolha que o PT não quer dar. O PT quer impor 40 horas. Nós queremos dar liberdade total”, afirmou.
PEC de Rogério Marinho
A proposta citada por Sóstenes é a PEC 12/2026, apresentada por Rogério Marinho em maio deste ano. O texto propõe mudanças nas regras constitucionais para permitir um regime de jornada flexível, com remuneração proporcional às horas trabalhadas.
A iniciativa é apresentada pelo PL como uma alternativa à redução obrigatória da jornada semanal. A proposta em discussão no Senado, por sua vez, prevê reduzir o limite de 44 para 40 horas semanais, sem diminuição salarial, e estabelecer dois dias de descanso por semana, com implementação gradual.
Sóstenes afirmou que o partido pretende trabalhar pela proposta de Marinho no próximo ano, caso Flávio Bolsonaro (PL) vença a eleição presidencial.
Debate atribuído a Erika Hilton
Na coletiva, o líder do PL também afirmou que Lula só passou a defender o fim da escala 6×1 depois de ser pressionado pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP), autora de uma proposta sobre o tema.
“Eu acho que a oposição e, em especial, o presidente Lula têm que explicar por que ele não votou isso antes e só votou agora porque foi enquadrado por um membro do partido, que é a Erika Hilton”, disse.
Apesar da crítica, Sóstenes reconheceu o papel da deputada na discussão. “Quero dar todo o mérito deste debate, porque mérito tem que ser reconhecido, não é porque é da oposição que a gente não vai reconhecer”, afirmou.
Questionado por O Antagonista se a proximidade do segundo turno influenciava a discussão, o deputado respondeu: “Isso é eleitoreiro puramente”.
Sóstenes reiterou que o PL votará a favor da proposta em tramitação no Senado, mas pretende defender a alternativa de Marinho em 2027.
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