Segundo a psicologia, o que significa quando alguém está sempre acariciando gatos?
Pesquisadores identificaram um traço de personalidade específico ligado ao conforto emocional proporcionado pelos gatos.
Existe uma razão pela qual certas pessoas, ao se sentirem sobrecarregadas, buscam instintivamente um gato para acariciar. Um estudo recém-publicado na revista Anthrozoös sugere que esse comportamento não é aleatório. Ele está ligado a um traço de personalidade específico e mensurável, e as pessoas que mais buscam esse contato são, de acordo com a ciência, as que mais se beneficiam dele.
O estudo que descobriu quem realmente quer acariciar gatos
Pesquisadores entrevistaram mais de 1.400 estudantes e funcionários universitários de mais de 20 instituições para entender o que motiva o interesse em interações com gatos durante programas de redução do estresse. O que encontraram foi um padrão consistente: pessoas com níveis elevados de emocionalidade, um traço do modelo dos Cinco Grandes Fatores da personalidade, demonstraram interesse significativamente maior em visitar e acariciar gatos no campus.
“A emotividade é uma característica bastante estável; ela não oscila e é um traço consistente de nossas personalidades”, afirmou Patricia Pendry, professora do Departamento de Desenvolvimento Humano da Universidade Estadual de Washington e coautora do estudo. “Descobrimos que as pessoas com níveis mais altos nessa escala estavam significativamente mais interessadas em interagir com gatos no campus.”

O que é emocionalidade e por que ela explica tanto
A emocionalidade descreve a intensidade com que uma pessoa vivencia seus sentimentos e a facilidade com que reage a eles. Não se trata de fraqueza ou instabilidade, mas de uma forma de processar o mundo com maior sensibilidade interna. Pessoas com esse traço elevado tendem a preferir vínculos que pareçam genuínos em vez de exigentes, ambientes calmos e interações que não imponham expectativas sociais constantes.
É exatamente o que os gatos oferecem. Eles se aproximam quando querem contato e se afastam quando não querem. Para quem considera animais mais efusivos estimulantes demais, essa seletividade pode funcionar como alívio, e não como limitação. A relação se constrói em ritmo mútuo, o que para personalidades altamente emotivas pode ser mais seguro e revigorante do que qualquer outra forma de vínculo social.
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O que acontece no corpo quando alguém acaricia um gato por dez minutos
Os efeitos não são apenas subjetivos. O Centro de Saúde Felina de Cornell destacou pesquisas que demonstram que dez minutos acariciando um gato ou cachorro reduzem os níveis de cortisol, o hormônio do estresse, na saliva humana. Estudantes universitários foram os sujeitos desse estudo, e os resultados indicam que o contato funciona tanto como prevenção quanto como alívio imediato.
O mecanismo envolve mais de um canal sensorial ao mesmo tempo. Os elementos que atuam de forma combinada para produzir esse efeito incluem:
- O movimento repetitivo de acariciar, que promove regulação emocional pelo ritmo
- A textura da pelagem, que oferece estímulo tátil calmante
- O ronronar, cuja frequência sonora está associada à redução da ansiedade
- A liberação de ocitocina, hormônio ligado ao apego e à sensação de calma, reforçando o comportamento ao longo do tempo
Sessões curtas e diárias de carinho com um gato podem funcionar como uma forma de regulação emocional cotidiana. A previsibilidade da companhia tranquila cria uma âncora confiável em momentos de fadiga ou tensão, interrompendo o ciclo de estresse de uma forma que se repete facilmente.
Confira o vídeo compartilhado pelo canal do YouTube Medicina Felinos mostrando os principais sinais que demonstram que seu gato é apegado a você.
A personalidade importa mais do que o cargo, a idade ou o histórico com animais
Um dos achados mais surpreendentes do estudo é que a emocionalidade previu o interesse em visitas com gatos de forma mais confiável do que qualquer variável demográfica. Não houve diferença significativa entre estudantes e funcionários universitários. O traço de personalidade se sobrepôs ao cargo, à faixa etária e até mesmo à posse anterior de animais de estimação.
“Consideramos que os estudantes universitários são únicos, e em vários aspectos eles são”, disse Joni Delanoeije, autora principal do estudo e pesquisadora da KU Leuven, na Bélgica. “Mas quando analisamos os funcionários da universidade, os resultados foram muito semelhantes: a personalidade importava mais do que ser estudante ou funcionário.”
Por que a ciência do estresse ainda ignora os gatos e o que isso custa
Mais de 85% dos programas de redução do estresse em campi universitários contam exclusivamente com cães. A justificativa costuma ser a sociabilidade e a previsibilidade dos cães de terapia. Mas os dados do estudo sugerem que essa escolha exclui justamente as pessoas com maior necessidade de intervenção. Pendry foi direta ao abordar o preconceito implícito nessa estrutura.
“Anedoticamente, sempre nos disseram que as pessoas que gostam de gatos são diferentes das que gostam de cães, e que a maioria dos estudantes não tem interesse em interagir com gatos. Nossos resultados revelaram que os estudantes têm interesse em interagir com gatos e que esse interesse pode ser motivado por traços de personalidade.”Patricia Pendry, Universidade Estadual de Washington
Deixar as pessoas escolherem entre um gato, um cachorro ou ambos pode ser o ajuste mais simples e eficaz para ampliar o alcance real dessas intervenções. Para quem sente as emoções com mais intensidade, a presença silenciosa e seletiva de um gato pode ser exatamente o que um programa estruturado com cães jamais conseguirá oferecer.
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