Secretário da Lei Rouanet deixa Ministério da Cultura
Henilton Menezes sai em fevereiro; Thiago Rocha Leandro assume a pasta que registrou captação de R$ 3,41 bilhões em 2025
O gestor cultural Henilton Menezes decidiu sair do comando da Secretaria de Fomento e Incentivo à Cultura, do Ministério da Cultura, pasta que gerencia a Lei Rouanet, principal instrumento de financiamento cultural do país. A demissão acontece após três anos consecutivos de crescimento na captação de recursos.
Thiago Rocha Leandro, diretor de Assistência Técnica a Estados, Distrito Federal e Municípios do ministério, ocupará o posto. A mudança foi planejada com a ministra Margareth Menezes. Menezes informou que a decisão de deixar o cargo partiu dele próprio, motivada pelo desejo de ter mais tempo com a família.
Captação bate recorde pelo terceiro ano
O volume de recursos captados pela Lei Rouanet atingiu R$ 3,41 bilhões em 2025, segundo dados do Salic (Sistema de Apoio às Leis de Incentivo à Cultura). O valor representa alta de 12,1% em relação aos R$ 3,04 bilhões registrados em 2024.
Na comparação com 2023, primeiro ano da atual gestão federal, o crescimento alcança 45,1%. Os números contrastam com o período entre 2019 e 2022, quando a captação via mecanismo de incentivo caiu para os patamares mais baixos da série histórica.
Durante a gestão anterior, a Lei Rouanet foi alvo de críticas e restrições por parte do então presidente Jair Bolsonaro, o que resultou na queda da procura por parte de produtores culturais e empresas patrocinadoras.
Transição e continuidade
Leandro afirmou que manterá a linha de trabalho estabelecida. “Henilton liderou um processo essencial de escuta, democratização e reconstrução na secretaria. Meu papel será dar sequência a uma gestão que acumula resultados expressivos para o setor cultural”, declarou à Folha.
Menezes avaliou o período à frente da secretaria. “Conseguimos dar passos significativos para ampliar o acesso ao investimento cultural em todas as regiões do país. É hora de novos ciclos, mas deixo o Ministério com a sensação de que vivemos um momento excepcional para a cultura brasileira”, disse.
A Lei Rouanet permite que empresas e pessoas físicas destinem parte do Imposto de Renda para projetos culturais. O mecanismo foi criado em 1991 e se consolidou como a principal fonte de financiamento privado para a cultura no Brasil.
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