“Se um grupo armado ingressasse na sua casa, você pediria anistia?”, questiona Moraes
Ministro criticou projeto de anistia aos envolvidos no 8 de janeiro de 2023, durante julgamento sobre trama golpista
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), questionou o projeto de anistia aos envolvidos no 8 de janeiro, que tramita na Câmara dos Deputados, durante julgamento do segundo núcleo da trama golpista na Primeira Turma nesta terça-feira, 22.
Moraes comparou as destruições e invasões aos prédios públicos à invasão de uma casa familiar.
“Se o que aconteceu para o Brasil acontecesse na sua casa... Se um grupo armado organizado ingressasse na sua casa, destruísse tudo, mas com a finalidade de fazer o seu vizinho mandar na sua casa, ou seja, de afastar você, a sua família, do comando da sua casa. Com violência, destruição, bombas, você pediria anistia para essas pessoas? Se fosse na sua casa? Então, por que no Brasil, na democracia, a tentativa de quebra do estado democrático de direito, tantas pessoas defendem isso?”, disse o ministro.
Cármen Lúcia
A ministra Cármen Lúcia contestou os argumentos apresentados pelo advogado Anderson Rodrigues de Almeida, responsável pela defesa de Silvinei Vasques, ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal, sobre as abstenções nas eleições de 2022.
Segundo o advogado, os dados comprovariam que Sivinei Vasques não interferiu no fluxo de eleitores de Lula (PT).
“Para colocar um ponto final sobre a acusação de direcionamento policial sob o comando de Silvinei Vasques, contratamos um perito técnico. O resultado é uma prova cabal de que não houve interferência nos votos. Se o presidente Lula recebeu mais de 70% dos votos em 52% das cidades do Nordeste, está comprovado que não houve direcionamento. Nenhum eleitor deixou de votar no segundo turno. Os 27 TREs confirmaram que não houve qualquer reclamação”, disse Anderson Rodrigues.
A ministra Cármen Lúcia contestou:
“Doutor Anderson, eu entendi bem? Está expressa a afirmação de Vossa Senhoria de que a abstenção teria relação com a atuação do senhor Silvinei?”
Ela continuou:
“Em cada eleição se tem a avaliação a partir de dados do TSE do número de votantes que comparecem em cada zona. Então não tem nada a ver. Afastar qualquer interpretação do menor ou maior índice de abstenção poderia ter sido aumentado por uma atuação […] houve tentativa de impedimento ou tentativa de impedimento de eleitores.”
Cármen Lúcia voltou a questionar o advogado de Silvinei Vasques:
“O nobre advogado afirma que não teria tido nenhuma reclamação sobre a possibilidade de impedimento às urnas? O senhor tem consciência de que seu cliente foi chamado ao TSE justamente por reclamações?”
Após Anderson Rodrigues assentir, a ministra disse que turdo será esclarecido nos autos.
Leia mais: “Cármen Lúcia contesta advogado de Silvinei sobre abstenção nas eleições”
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Comentários (3)
Leticia Jota Piantino Merchioratto
22.04.2025 17:14Que comparação mais esdruxula só poderia partir da cabeça deste psicopata que não tem alma nem coração nem dignidade nem senso de JUSTIÇA...nem berço nem MORAL....
saul simoes junior
22.04.2025 16:58Qual grupo "armado" invadiu alguma coisa em Brasilia?
Carlos Augusto Lins Brito Da Silva
22.04.2025 16:58E caso os indiciados estivessem sendo julgados com raiva, rancor, perseguição, em um tribunal de exceção, onde as sentenças já estão traçadas e não são individualizadas, não seria a Anistia um caminho necessário / prudente?